Envolta em uma espécie de “cobertor curto”, que cobre uma ponta e deixa a outra desguarnecida, a prefeitura apresentou o novo modelo de transporte coletivo de Foz do Iguaçu, em audiência pública, nessa quinta-feira, 6, no Sest/Senat. Gestores públicos e usuários do serviço participaram dos debates.
Representante do Instituto de Transportes e Trânsito (Foztrans) e presidente da Comissão de Licitação, Robson Lima Souza resumiu a visão do município. O objetivo é chegar a um sistema de transporte coletivo mais eficiente, moderno e sustentável, aliando qualidade e equilíbrio financeiro.
“O modelo apresentado é o que atende à necessidade apresentada pelos passageiros e já se preparando para um aumento gradativo de passageiros”, disse. “Precisamos garantir o deslocamento da população com segurança e conforto, e essa proposta vem ao encontro desse objetivo, sem deixar de considerar o equilíbrio financeiro”, afirmou.
Transporte coletivo
As principais mudanças propostas são: frota passa de 98 para 108 ônibus, aumento de 34 para 41 linhas e elevação de 702 para 1.183 viagens em dias úteis, de 583 para 930 aos sábados e de 298 para 489 aos domingos. A quilometragem mensal subiria de 600 mil para 800 mil quilômetros.
As alterações incluem a revisão de gratuidades para estudantes e pessoas idosas, redução da idade média dos veículos, ar-condicionado em 100% da frota e redesenho das linhas. O contrato de concessão seria de 20 anos, e o valor da passagem teria reajuste de R$ 5 para R$ 6.
Passe livre e melhorias
Estudantes e usuários do serviço público lotaram a plenária. O encontro foi realizado em espaço pouco usual para audiências públicas, criticado justamente pela pouca oferta de ônibus e pela dificuldade de deslocamento por ser fora de áreas mais centrais, como o auditório da Câmara Municipal.
Universitários de instituições públicas, como Unila e Unioeste, defenderam enfaticamente a manutenção do atual modelo de passe livre estudantil, bem como elencaram uma lista de melhorias que vão da qualidade da frota à maior frequência do transporte coletivo. Conexão entre bairros e equipamentos públicos também integram o rol de reclamações, bem como segurança e acessibilidade.
Os estudantes criaram grupos de organização presenciais nas universidades e em canais digitais, prometendo seguir acompanhando e intervindo no debate sobre a nova licitação do serviço
Presidente do Sindicato dos Rodoviários (Sitro-FI), Rodrigo Andrade de Souza disse que a nova modelagem não contempla a categoria, enfatizando que os profissionais perderam direitos quando houve a caducidade na gestão do ex-prefeito Chico Brasileiro (PSDB), efetivada em 2023. Entre eles, mencionou, está a jornada de trabalho de seis horas e 40 minutos.
O dirigente informou que protocolou o pleito dos trabalhador na prefeitura e na Câmara, mas os itens não constam do modelo tornado público pela administração. A liderança dos rodoviários em Foz do Iguaçu reiterou que não estão descartadas futuras greves, caso os entendimentos não avancem.
Gratuidades aos estudantes
De acordo com a gestão municipal, será feita a revisão de gratuidades, “adequando a quantidade de viagens gratuitas às necessidades reais de deslocamento para as instituições de ensino”. Segundo a prefeitura, será assegurado o direito dos estudantes, a exemplo dos matriculados em período integral, que irão continuar obtendo quatro viagens diárias, tal qual serão preservados os embarques sem pagar em fins de semana e feriados.
Os documentos sobre a futura licitação podem ser acessados no site do Foztrans, aqui.
(Com informações da Agência Municipal de Notícias)

