Chegou o dia. Catraca do pedágio será suspensa às 23h59 desta sexta na BR-277, no Oeste

Nova licitação para concessão das rodovias e pedágio deverá ser realizada em 2022 - Foto: Rodrigo Morosini/Agepar

Há 24 anos, motoristas das rodovias pagam o pedágio considerado o mais caro do país; pedageiras arrecadaram R$ 2,4 bi apenas neste ano.

Obras não executadas, acordos judiciais não cumpridos, promessas de “baixa ou acaba” que ficaram na palavra. Esse é parte do enredo envolvendo a concessão das rodovias no Paraná que durou 24 anos. De fato e na prática, o que funcionou nessas mais de duas décadas foi a cobrança de um dos pedágios mais caros do país.

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O pagamento do pedágio será suspenso nesta sexta-feira, 26, às 23h59, nas praças controladas pela Ecocataratas, que administra trechos da BR-277, como os de São Miguel do Iguaçu e Céu Azul, na Região Oeste. No domingo, 28, não haverá cobrança de tarifa em todo o Anel da Integração, que reúne 2,5 quilômetros de rodovias. Essa suspensão deverá durar um ano.

O cronograma do término dos contratos e suspensão dos pedágios é o seguinte:

Sexta-feira, 26, às 23h59

  • São Miguel do Iguaçu, Céu Azul, Cascavel, Laranjeiras do Sul e Candói (relativos à Ecocataratas);
  • Jacarezinho, Jataizinho, Sertaneja (relativos à Econorte); e
  • Arapongas, Mandaguari, Presidente Castelo Branco, Floresta, Campo Mourão, Corbélia (relativos à Viapar).

Sábado, 27, às 23h59

  • Prudentópolis/Relógio, Irati, Porto Amazonas, Imbituva, Lapa (relativos à Caminhos do Paraná);
  • Balsa Nova, Palmeira, Carambeí, Jaguariaíva, Tibagi, Imbaú, Ortigueira (relativos à Rodonorte); e
  • São José dos Pinhais (Ecovia).

Licitação ficou para 2022

A interrupção das tarifas ocorre porque não houve tempo para a realização da licitação do “novo pedágio” neste ano, que chegou a ser anunciada pelos governos federal e estadual. Isso se deve aos questionamentos sobre a modelagem, que sustentavam que ela não permitiria a redução efetiva dos valores cobrados dos usuários, o que levou o poder público a rediscutir o modelo.

 As concessionárias deixam as praças sem terem executado 51% das obras previstas, conforme estudo técnico elaborado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), entregue à Frente Parlamentar do Pedágio da Assembleia Legislativa (Alep). As empresas negam esse dado, afirmam que os investimentos são motivos de ação judicial, foram reprogramadas em acordos de leniência ou estão sendo realizadas.

Esse levantamento técnico também diz que as obras não realizadas poderão ser previstas no novo edital dos pedágios, ou seja, o contribuinte deverá pagar duas vezes pela mesma melhoria nas pistas. A futura licitação ainda traz dúvidas sobre a redução concreta das tarifas e críticas pelo aumento de 15 novas praças de cobrança.

Juntas, as pedageiras arrecadaram R$ 2,45 bilhões nas catracas do Paraná, somente em 2021, conforme o pedagiômetro do DER. A Ecocataratas recolheu R$ 320 milhões dos motoristas que circularam pela BR-277 neste ano, em seu trecho de administração. O alto custo do pedágio retira a competitividade do setor produtivo – o Oeste é a região mais distante do Porto de Paranaguá, por exemplo – e afeta o turismo, por encarecer as viagens rodoviárias.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.