Por outros carnavais: festa popular usada como ‘bode expiatório’ na pandemia

Folia democrática e espontânea do Carnaval da Saudade, na Avenida Marechal Deodoro - Foto: Jeferson Hwang

 Carnaval popular em Foz do Iguaçu não pode, carnaval privado e eventos seguem liberados.

O carnaval popular, folia celebrada em ruas e espaços abertos, foi cancelado em várias cidades do país, por justificativas e razões sanitárias que são válidas e justas. Não foi diferente em Foz do Iguaçu, que neste ano não conta com nenhuma agenda pública.

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Carnaval popular não pode, porém carnaval privado e outros eventos de todos os gêneros que promovam aglomeração de pessoas seguem liberados. É importante discutir sobre a aplicação de dois pesos e duas medidas ao se decidir acerca da permissão para eventos que, de modo geral, agreguem público, reúnam gente.

Isso porque a festa carnavalesca, popular e ligada profundamente à cultura brasileira, não pode ser o bode expiatório da pandemia, submetida a estigmas e ataques de cunho moral – e moralista – que tencionam para suprimir ou abalar a sua legitimidade. Há que se ter respeito com os brincantes de carnaval em Foz e em qualquer outro canto do país.

Chamou a atenção a ligeireza com que a gestão pública iguaçuense decidiu pela suspensão do carnaval na cidade. Ainda em 1º de dezembro do ano passado, em meio a uma liberação geral de festas natalinas, rapidamente se decretou o cancelamento da folia de rua, parecendo “jogar para a torcida”, como se diz popularmente, a fim de agradar a uma parte da sociedade e tentando passar a mensagem de que algo estava sendo feito para conter a pandemia.

Com dois anos de pandemia era possível planejar outros carnavais em Foz do Iguaçu em vez de simplesmente suspendê-lo? Descentralizar a programação, mobilizar comunidades, reorganizar escolas, fortalecer blocos e manter em funcionamento a economia criativa do carnaval, fomentando renda, são apenas alguns exemplos de que a saída de mais fácil aceitação nem sempre é a melhor.

Aliás, o carnaval iguaçuense precisa ser posto em debate para além da pandemia. Na atual gestão municipal, o Carnaval da Saudade, espontâneo e democrático, deixou de existir, sendo convertido em evento de maior porte que o poder público da cidade jamais havia conseguido construir. Já sua agenda oficial era a de desfiles, os quais sucumbiram nas avenidas em que passaram.

Como diz o samba: “Não põe corda no meu bloco, nem vem com teu carro-chefe, não dá ordem ao pessoal”. Outros carnavais em Foz do Iguaçu são possíveis e necessários para manter o elogio à alegria presente nas ruas e espaços públicos da cidade.

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