Saúde não é “puxadinho” da Assistência Social: denúncia das cestas básicas exige rigor na apuração

Cestas básicas registradas na unidade de saúde - Foto: Facebook/Jornal Novo Tempo

É grave, extremamente grave a denúncia de armazenamento e distribuição irregular de cestas básicas na unidade básica de saúde (UBS) do bairro Cidade Nova. Os autores da representação, que está sendo investigada pela promotoria e Câmara de Vereadores, alegam indícios de crime eleitoral para favorecer a psicóloga Rosa Jeronymo, do MDB, que acaba de lançar sua pré-candidatura ao pleito de outubro.

Não há justificativa para “puxadinho” da Assistência Social em posto de saúde, como quer fazer crer a prefeitura, coincidentemente no local em que atua a primeira-dama e ex-secretária municipal de Saúde. O poder público segue padrões institucionais estabelecidos pelo Sistema Único da Assistência Social, o SUAS, que assegura às famílias atendimento socioassistencial igualitário, a partir de critérios técnicos. Não é improviso. Não é favor aos beneficiários, é direito.

Valendo-se da prática de que, quando a mensagem desagrada, ataca-se o mensageiro, até o momento a gestão de Chico Brasileiro (PSD) mais buscou desqualificar os denunciantes do que explicar o caso. Ao Ministério Público Eleitoral, porém, a administração tem de responder a qual programa da saúde pública está integrada a prática de armazenar e distribuir cestas básicas em postos.  

Qual é a participação da Secretaria Municipal de Assistência Social nesse fluxo? Qual é a origem dos mantimentos e quem foram os seus beneficiários são outros questionamentos que estão na extensa lista de dúvidas para as quais a promotoria eleitoral busca resposta da gestão iguaçuense. Simultaneamente, foi expedida recomendação administrativa para que a prefeitura deixe de realizar a entrega de cestas básicas em equipamentos de saúde. 

A denúncia das cestas básicas precisa ser apurada com rigor, sem manipulação sobre eventuais responsabilidades. Ou seja, não se pode admitir a criação de bode expiatório para fazer a corda arrebentar na parte mais fraca. Além disso, esse caso não deixa de trazer para o contexto a agenda deste segundo mandato do prefeito Chico Brasileiro, em que prevalece a busca da eleição de Rosa Jeronymo.

Quando era secretária de Saúde, ela transitava em eventos que nada tinham a ver com a sua pasta, o que incluía inauguração de campo de futebol e reuniões para obras em ruas de bairros, ações que ganhavam a imprensa oficial. Presença, aliás, que permanece atualmente. Vale dizer que até agora não foi explicado quem pagou o custo do evento em hotel de luxo para a transmissão de cargo de Rosa Jeronymo, no limite do prazo de desincompatibilização exigido pela lei eleitoral.

Em sua história política, Foz do Iguaçu registra longos anos de mando e compadrio exercido por uma única família, cujos membros revezavam-se entre o Palácio das Cataratas e a Assembleia Legislativa do Paraná. Em qualquer tempo, é recomendável aconselhar-se com o passado a fim de evitar erros que podem asfixiar o amplo debate sobre projetos e olhares em torno da cidade que se tem e a que se pretende ter.

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