Vereadores têm a chance de evitar os erros da legislatura anterior. Evitarão?

Após reprovação do eleitor à maioria dos parlamentares de 2017 a 2020, os novos representantes do povo estão dispostos a essa mudança?

O eleitor iguaçuense demonstrou nas urnas a sua reprovação ao trabalho dos vereadores da legislatura anterior, encerrada em dezembro. Como se sabe, dos 14 edis que buscavam a reeleição, somente dois conseguiram eleger-se.

Esse resultado foi um recado claro aos atuais vereadores, que assumiram em 1º de janeiro. O eleitor espera uma postura completamente diferente dos representantes que ocupam a Câmara Municipal. A pergunta é: eles estão dispostos a essa mudança?

Neste início de mandato, não observamos, por exemplo, movimentos para enxugar os gastos e a estrutura do Legislativo. As nomeações oficiais para os cargos mostram que os vereadores tendem a indicar os seus quatro assessores, os quais recebem salário de R$ 8.900 cada um.

Deve permanecer o festival de indicações, que são apenas sugestões ao prefeito e à gestão (sem efetividade de lei), a maioria das quais se perde sem praticidade. Das propostas apresentadas pelos vereadores em 2021, são quatro projetos de lei e 80 indicações. Logo não demora para iniciar a nova temporada de títulos de Cidadão Benemérito e Cidadão Honorário.

Embora seja um instrumento legal, a indicação distorce as responsabilidades do Executivo e do Legislativo. Quando a obra é concretizada, o parlamentar corre para virar “pai ou mãe” dela, mas renuncia ao seu verdadeiro papel que é o de fiscalizar licitação, custo, idoneidade da empresa, qualidade do serviço e dos produtos usados.

Problemas reais

A população espera entregas, solução de problemas, melhorias da sua vida. Momentos desafiadores como o que vivemos exigem respostas do poder público igualmente desafiadoras.

Quantos vereadores acompanharam o drama dos iguaçuenses com os alagamentos, por exemplo? Veio outra chuva, novos alagamentos… Os representantes do povo também são meios de amplificar a voz das comunidades, sem demagogia.

Independência e fiscalização

Mas a régua que medirá a qualidade dos vereadores é principalmente a da independência e da fiscalização. A grande maioria dos edis aderiu à base de sustentação do prefeito Chico Brasileiro. Isso não pode ser confundido com subserviência.

A função mais importante do vereador é fiscalizar a aplicação dos recursos que são de todos e a qualidade dos serviços prestados para a população. Sem isso, a Câmara de Vereadores se apequena a uma mera repartição de despachos.

Vereadores são representantes do povo. Por isso, não dá para atender dois senhores. Eles devem ser intransigentes na defesa da população. Veremos a quem nossos vereadores dirão amém.

H2FOZ – Editorial

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