Clima esquenta, e dirigentes de Foz FC e Grêmio trocam acusações no “Caso Pepê”

O presidente do Foz FC, Arif Osman, afirmou que o clube gaúcho está refém de uma “gangue” de empresários. Por sua vez, o ex-CEO do tricolor gaúcho Carlos Amodeo questionou a reputação de Arif.

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O embate entre Foz do Iguaçu FC e Grêmio continua acalorado nos bastidores em relação ao caso da transferência do atacante Pepê, atualmente jogador do Porto (Portugal) e da seleção brasileira. No caso, o Azulão está cobrando R$ 30 milhões do clube gaúcho na Justiça.

Nessa quinta-feira (21), o ex-CEO do clube gaúcho Carlos Amodeo e o presidente do Azulão, Arif Osman, protagonizaram um novo episódio do entrevero ao trocar acusações graves em entrevistas cedidas para a Rádio Grenal.

Em uma das declarações, Arif criticou a administração anterior do Grêmio (que encerrou a gestão em novembro) e afirmou que o tricolor gaúcho está refém de uma “gangue” de empresários. “Infelizmente, a administração passada do Grêmio, inclusive o Amodeo, faz parte da mesma gangue dos empresários. Quem manda são os empresários que colocam os jogadores lá. Esses empresários têm muito a receber, e agora o Grêmio está defendendo eles”, esbravejou.

Arif ainda relatou que o Grêmio tentou passar uma “rasteira” no Foz FC. “Na época da venda, tive que devolver 12 vezes o contrato para as devidas correções. Foram 12 tentativas de nos enganar e de nos tirar os direitos de solidariedade, formação e mais-valia. Depois de tanta palhaçada, mandaram o certo.”

Já Amodeo, no espaço dado pela Rádio Grenal, colocou em dúvida a reputação do dirigente do time iguaçuense. “É importante comparar a reputação de todos os membros da administração anterior e da minha própria, ao longo de 30 anos de vida profissional, e a reputação do presidente do Foz FC na região de Foz do Iguaçu e no estado do Paraná”, respondeu.

O dirigente, que atualmente trabalha no Coritiba, ainda disse que irá cobrar na Justiça uma punição pelas declarações de Arif. “Isso é tão grave que vai ter que comprovar as suas acusações em juízo ou sofrer as penas que a lei determinar sobre essa situação infundada, caluniosa e criminosa para tentar levar uma vantagem, criar uma pressão na opinião pública para tentar novamente levar uma vantagem indevida.”

Entenda o caso

Em 2021, Pepê foi transferido do Grêmio para o Porto, de Portugal, por aproximadamente R$ 100 milhões. Em tese, 30% desse valor deveria ser repassado ao Foz do Iguaçu FC, dono dessa porcentagem do passe do atleta. Até hoje, o Grêmio teria pagado apenas R$ 1,5 milhão.

Em agosto de 2022, o Azulão entrou com uma ação na Câmara Nacional de Resoluções de Disputas (CNRD), da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Segundo Arif, “a CNRD já decidiu que o Grêmio deve pagar ao Foz. Se pagar um real a terceiros, agentes e empresários poderão sofrer as penalidades da FIFA, como rebaixamento no Campeonato Brasileiro, impossibilidade de jogar a Libertadores ou de negociar jogadores”.

O dirigente gremista alega que o clube não tinha a clareza de quem deveria pagar. “Como não tínhamos a clareza jurídica para quem pagar, nós não pagamos para absolutamente ninguém naquele momento.” O clube ainda teria proposto um pagamento de R$ 5 milhões, divididos em 12 vezes, o que foi prontamente recusado pelo Foz.

A expectativa é a de que o caso seja analisado novamente apenas em 2024, após o período de férias da CBF. O Foz FC chegou a solicitar bloqueio do prêmio de R$ 45 milhões recebido pelo Grêmio pelo vice-campeonato do Brasileirão e aguarda decisão liminar.

Leia o relato completo da versão de Arif Osman sobre o caso:

“Lá atrás, o Foz FC foi muito pressionado por estes empresários, porque eles só fariam o negócio do Pepê para a Europa se o Foz FC vendesse uma parte de seus direitos econômicos para estes empresários. Eu não aceitei a pressão. Voltei para Foz, mas com o tempo eles mostraram a força deles dentro do Grêmio. Tiraram ele de 7 jogos, sem que ele tenha sofrido alguma lesão. ‘Pepê é só mais um negócio para nós. Temos 600 negócios aqui. Ou vocês vendem para nós ou ele vai encerrar a carreira’. Aí cedemos um pedaço dos direitos econômicos. Só que, depois voltando para Foz e analisando com os meus advogados, chegamos à conclusão que não poderia ter feito essa venda. Que a lei do futebol não permitia isso. Esperamos o momento para fazer a denúncia. Se o Grêmio fez algum pagamento a eles foi irresponsabilidade porque estaria descumprindo uma das regras do futebol: direitos econômicos não podem ser pagos a terceiros.”

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