Abre ou não a fronteira? Se depender do ministro da Saúde do Paraguai, tão cedo, não!

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O ministro de Saúde Pública do Paraguai, Julio Mazzoleni, vai ser a pedra no sapato daqueles que defendem a abertura das fronteiras – ou ao menos a que separa Ciudad del Este de Foz do Iguaçu.

O jornal ABC Color disse que, ao ser indagado sobre o assunto, Mazzoleni disse que há probabilidade de que as fronteiras “com a Argentina” sejam reabertas em um prazo “oxalá próximo”. Mas não quis dar datas. Mesmo porque a Argentina não tem pressa.

O chanceler paraguaio, Antonio Rivas, lembra o ABC Color, já disse que as negociações com o Brasil estão avançando para reativar o comércio de fronteiras. Com a Argentina, até agora não houve resposta. Quer dizer, há autoridades paraguaias que defendem a reabertura, como Rivas, e outras, não.

O diretor de Vigilância Sanitária do Paraguai, Guillermo Sequera, mostrou aos jornalistas  um mapa com a situação epidemiológica nas cidades ou províncias (estados) lindeiras ao território paraguaio.

Em relação à Argentina, ressaltou que é notório como o controle interprovincial feito no país está dando resultados positivos. A província do Chaco é a que registra mais casos, enquanto Misiones (da vizinha Puerto Iguazú), Corrientes e Formosa têm os menores números.

Sobre o Brasil, os municípios do Mato Grosso do Sul têm muitos casos, segundo ele. E, nas ciadades paranaenses, também há uma grande quantidade, mas o Rio Paraná serve, de alguma forma, como contenção, o que não funciona com Ciudad del Este e Santa Rita, as mais afetadas por casos de covid-19 no departamento de Alto Paraná.

Todo o departamento, por sinal, voltou à fase zero da quarentena, com a diferença da permissão para trabalhar, devido à pressão da sociedade local.

Mas, enquanto negocia com o Brasil, o governo paraguaio também dá sinais contraditórios sobre a reabertura das fronteiras.

O jornal Hoy noticia que o ministro assessor de Assuntos Internacionais da Presidência do Paraguai, Federico González, disse que a decisão não será tomada a curto prazo, devido à situação epidemiológica do Brasil, onde já está perto de 100 mil mortes por covid-19.

“Não vai ser na semana que vem, nem na seguinte. Antes de tudo é preciso que sejamos realistas, sem descuidar da economia, mas acima de tudo está a vida e a saúde de todos os cidadãos”, disse González, na mesma linha do que o presidente do Paraguai, Mario Abdo Benítez, falava até há pouco tempo.

Em resumo: o Paraguai quer ou não a reabertura da Ponte da Amizade? Em Ciudad del Este e Alto Paraná, a resposta é positiva. Mas tudo depende de Assunção, onde a polêmica mal começou. Por enquanto, parece que está prevalecendo mesmo a posição da saúde pública.

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