Adelio Mendoza, sequestrado pelos guerrilheiros, testa positivo para covid-19

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Mais uma preocupação para a família do ex-vice-presidente do Paraguai Óscar Denis, que completa nesta sexta, 18, nove dias nas mãos dos sequestradores. O empregado dele, libertado pelos guerrilheiros na segunda-feira, 14, confirmou positivo para o teste de covid-19.

A informação foi divulgada nesta quinta-feira, 17, pelos ministros de Saúde Pública, Julio Mazzoleni, e do Interior, Euclides Acevedo, como informa a agência de notícias IP, do governo paraguaio.

Segundo informaram, o jovem de 21 anos está em bom estado de saúde, aparentemente sem sintomas, embora tenha dito que está com dores musculares, que podem não ter nada a ver com a doença.

Para a família, dois medos se somam: o de que os sequestradores cumpram a promessa de fuzilar Óscar Denis, já que o governo não atendeu a exigência deles de liberar dois companheiros presos; e o de que o ex-vice-presidente tenha contraído covid-19, o que no seu caso é ainda mais grave por ser idoso (74 anos) e portados de comorbidades, como pressão alta e diabates.

Por enquanto, ainda não se sabe onde Adelio se contagiou. O ministro Mazzoleni explicou que uma pessoa desenvolve a doença num prazo de três a cinco dias depois de contrair o novo coronavírus.

Mazzoleni e Acevedo ao anunciar que o empregado do ex-vice-presidente está com covid-19. Foto Agência IP

Os ministros também manifestaram preocupação com a possibilidade de Adelio ter passado o vírus ao ex-vice-presidente, já que contou ter até mesmo massageado as pernas do patrão, que sofreu fortes cãibras depois de uma longa caminhada.

Beatriz Denis, uma das filhas de Óscar Denis, lembrou que seu pai está na faixa de risco para covid-19, depois de saber que o empregado estava com a doença, informou o Última Hora.

Angustiada com a situação, Beatriz afirmou que a família cumpriu todas as exigências dos criminosos para libertarem seu pai.

Sequestro e exigências

Adelio e seu patrão, o ex-vice-presidente e ex-senador paraguaio Óscar Deniz, foram sequestrados na quarta-feira da semana passada pela autointitulada Brigada Indígena do Exército do Povo Paraguaio.

Os sequestradores disseram que iriam libertar Adelio, mas, para não fuzilar Óscar, exigiram que a família distribuísse US$ 4 milhões em mantimentos para 40 comunidades e que o governo libertasse dois chefes do EPP que estão presos.

O prazo dado ao governo era até as 22h de domingo, mas não houve a libertação, porque iria contra a Constituição do Paraguai.

Quanto à família, cumpriu todas as exigências, inclusive de colocar rótulos nos mantimentos informando que eram “doações do EPP”.

Depois dessas exigências, houve a libertação de Adélio e, de lá pra cá, nenhum contato mais dos sequestradores. Não se sabe se cumpriram a promessa de fuzilar o ex-vice-presidente.

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