Brasil paga 88% das obras de infraestrutura no Paraguai, diz diretor paraguaio de Itaipu

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O jornal ABC Color traz uma matéria que surpreende. O diretor financeiro de Itaipu no lado paraguaio, Fabián Domínguez, afirmou que o Brasil paga 88% pelas obras de infraestrutura no Paraguai, enquanto o país vizinho entra com 12%.

Essas obras, claro, são financiadas pela Itaipu Binacional, e incluem o multiviaduto de Ciudade del Este e as múltiplas unidades de saúde familiar que estão sendo erguidas em todo o Paraguai, lembrou Domínguez.

Ele destacou, também a construção das duas pontes internacionais, a que vai ligar Foz do Iguaçu a Presidente Franco (paga pela margem brasileira de Itaipu) e a que ligará Carmelo Peralta a Porto Murtinho (Mato Grosso do Sul), sobre o Rio Paraguai (financiada pela margem paraguaia).

Essas obras, disse, são construídas com recursos obtidos pela venda da energia de Itaipu, de cujo total 88% são pagos por consumidores brasileiros e 12% por paraguaios. É esta, portanto, a relação com as obras financiadas pela binacional.

Em razão dessas “obras emblemáticas”, que movimentam a economia paraguaia, o diretor financeiro da usina disse que Itaipu precisa ter uma tarifa “nem alta, nem baixa, mas apropriada. Ele considerou apropriada a tarifa para 2021, de US$ 22,6 por kW/mês, aprovada esta semana pelo Conselho de Administração de Itaipu.

Para Fabián Domínguez, “a tarifa que foi aprovada é apropriada, porque permite a Itaipu cumprir todos os seus compromissos”.

É raro, no Paraguai, alguém – ainda mais um diretor de Itaipu – reconhecer que são os brasileiros, os maiores consumidores da energia da binacional, que financiam tudo o que é feito no país com recursos da venda dessa energia.

Fabián Domínguez chega a duas conclusões: que, sob essa perspectiva das obras financiadas por Itaipu, “o grande beneficiado é o Paraguai”.

Fabián Domínguez, diretor financeiro de Itaipu, margem paraguaia. Foto Paraguai.com

E quem mais se beneficia da energia de Itaipu é o Brasil, completou. “Mas não é uma questão que nós podemos controlar, porque passa por uma questão de infraestrutura para retirar a energia.”

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