Cigarro paraguaio tem até fezes de animais. Mas e daí? O preço compensa!

Cigarros paraguaios à venda em feiras do Chile. Foto da reportagem especial do T13, republicada também no ABC Color.

Sabe o que contém um cigarro fabricado no Paraguai, além de fumo? Palha, pasto seco, restos de plástico e até fezes de animais, segundo reportagem publicada no Chile pelo portal T13. Os cigarros paraguaios entram no país pelo Porto San Antonio e são vendidos em feiras a um custo muito baixo, sem pagamento de impostos. Como no Brasil.

No ano passado, foram vendidos no Chile 2.019.320 cigarros de contrabando, a maior parte proveniente do Paraguai, depois Coreia do Sul e Índia. Sem qualquer controle de qualidade.

No Brasil, mais da metade do mercado de cigarros já foi dominada pela produção paraguaia ou clandestina. Em 2020, do total de apreensões feitas no Paraná, que somaram US$ 98 milhões (R$ 540 milhões), 60% eram de cigarros.

Se a apreensão é apenas uma pequena fatia do que entra no mercado brasileiro (calcula-se que 10%, no máximo), dá pra imaginar a quantidade de cigarros paraguaios em circulação. E o prejuízo pras fábricas instaladas no Brasil e a perda de impostos, para as várias esferas de governo. Também no ano passado, estima-se que os cigarros paraguaios arrecadaram R$ 11 bilhões no Brasil.

A maior parte dos cigarros contrabandeados para o Brasil e países vizinhos, como Argentina e Chile, é produzida pela Tabacalera del Este (Tabesa), que pertence ao ex-presidente paraguaio Horacio Cartes, como lembra o jornal ABC Color, ao destacar a notícia publicada no portal chileno.

A apreensão de cargas de cigarros é rotina no trabalho da Polícia Rodoviária Federal. Mesmo assim, 90% dos cigarros entram no mercado brasileiro. Foto PRF

CONTAMINAÇÃO

Já em 2011, uma pesquisadora de uma universidade estadual do Paraná fez uma análise de cigarros paraguaios. Encontrou pedaços de insetos e quase 30 vezes mais bactérias que o total permitido pela Vigilância Sanitária do Brasil, conforme matéria do G1 na época.

O mais grave é que algumas espécies de bactérias encontram no cigarro o calor necessário para se desenvolver. E o fumante, que já não tem toda a proteção como uma pessoa que não fuma, pode ter doenças, doenças respiratórias e pneumonia. Sem contar o câncer.

Mas o fumante brasileiro ignora informações como essas. A ele, interessa mais o preço. Sem pagar imposto nenhum, nem de importação, nem ICMS, IPI e outras tantas taxas que existem no Brasil, o cigarro paraguaio custa até a metade do preço do cigarro fabricado no País.

E, quando fica doente, o fumante desses cigarros procura atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), aumentando ainda mais o prejuízo ao Brasil.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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