Empresária paraguaia que levou Ronaldinho ao Paraguai é suspeita de contrabando

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

A empresária paraguaia Dalia López, responsável pela ida de Ronaldinho e o irmão a Assunção e de fornecer a eles documentos de conteúdo falso, é agora suspeita de ser dona de uma carga de contrabando apreendida nesta terça-feira, 8, à noite. Dalia López está com prisão decretada pelo “caso Ronaldinho” e, como não compareceu à Justiça, é considerada foragida.

Agentes do Grupo Especial de Operações e policiais da região interceptaram um caminhão carregado com eletrônicos, em Minga Guazú, terça à noite. A carga vinha do aeroporto Silvio Pettirossi, de Assunção, e tinha como destino Ciudad del Este.

As mercadorias incluíam 1.170 celulares, acessórios, baterias, fones de ouvido e outras mercadorias de origem chinesa, e a suspeita é que entraram no país de contrabando. O valor chegaria a 4,5 bilhões de guaranis (R$ 3,5 milhões).

Onde entra Dalia López? Pelas detenções. O caminhão era escoltado por uma camioneta com homens fortemente armados. Um deles era o advogado de Dalia López, Marcos Estigarribia; o outro era o general da reserva Carlos Lisera, que apareceu como assessor da Fundação Solidariedade Angelical, de Dalia López, para a qual Ronaldinho foi conviddo a emprestar sua imagem.

O advogado de Dalia, à direita na foto, fazia parte da escolta.

Havia ainda mais dois homens na escolta. A camionete onde estavam pertence ao ex-marido de Dalia, Héctor Ramón D´Eclesiis.

Armas apreendidas com os “seguranças” da carga.

O advogado disse que escoltava a carga devido aos “piratas do asfalto” e que a empresa Permanental Oriental Holding S.A., de Dalia López e do marido Luis Alberto Gauto, era apenas responsável pelo transporte das mercadorias de uma empresa que ele indentificou como Income.

O advogado afirmou desconhecer os donos da Income, em entrevista ao jornal ABC Color. Mas o homem que se disse proprietário dessa empresa, Alejandro Sarubbi, disse ao jornal que Marcos Estigarribia fazia a escolta porque ainda fazia parte da Income. Depois de algum tempo, ele se comunicou com o jornal e se desdisse: o advogado falara a verdade.

Dalia López é acusada de lavagem de dinheiro, associação criminosa, produção de documentos não autênticos e outros delitos.

O “modus operandi” revela que os contrabandistas agem da mesma forma: declaram certa quantidade de mercadorias, mas carregam mais do que o declarado. E os objetos também são diferentes do que aparece na declaração. Há o crime de contrabando e lavagem de dinheiro.

Com a chegada de Ronaldo ao Paraguai, Dalia virou estrela, com direito a cumprimentar o presidente Mario Abdo Benítez.

Dalia López, até então uma “empresária” (as aspas são do jornal Última Hora) desconhecida no Paraguai, ficou famosa com o “caso Ronaldinho”, ao ser acusada pelo empresário do ex-jogador de ser a pessoa que lhes facilitou os documentos de conteúdo falso com que Ronaldo e o irmão entraram no país.

Por causa dela e de seus documentos de conteúdo falso, Ronaldo e seu irmão, Roberto, passaram seis meses presos no Paraguai, inicialmente no Agrupamento Especializado da Polícia Nacional e, depois, em “prisão domiciliar” num hotel de Assunção.

A suspeita é que a importadora responsável pela carga seria propriedde do grupo empresarial liderado por ela, ainda que como acionistas figurem testas de ferro (ou “laranjas”).

O Última Hora diz que há fortes suspeitas de que a empresária foragida esteja vinculada à lavagem de dinheiro em grande escala e, inclusive, de que participou de operações investigadas pela Lava Jato, no Brasil.

Ela atuaria fortemente no contrabando de produtos piratas, num milionário esquema de evasão de tributos e venda de mercadorias falsificadas, com ramificações em Ciudad del Este.

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