Governo do Paraguai diz a prefeito que quer reabrir Ponte da Amizade: “situação não permite”

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O governo do Paraguai mantém a decisão de só reabrir as fronteiras quando a pandemia estiver controlada. Antes, a preocupação era com o Brasil. Agora, também com o que acontece no próprio país.

Sobre o pedido do prefeito de Ciudad del Este, Miguel Prieto, que pediu a reabertura da fronteira com Foz do Iguaçu para a população poder trabalhar, o ministro de Assuntos Internacionais do Paraguai, Federico González, foi incisivo: A situação não permite”.

Em entrevista à rádio Ñanduti, reproduzida no jornal La Nación, o ministro disse que “não é por capricho de ninguém” que as fronteiras não reabre. “Provalmente esta será uma das últimas decisões que serão tomadas”, afirmou, mais ou menos repetindo o que sempre disse o presidente Mario Abdo Benítez.

Segundo González, o governo tem a enorme responsabilidade de velar pela saúde e vida de todos os paraguaios e, também, pela saúde da economia, mas nesse momento não se analisa a possibilidade de reabrir a Ponte da Amizade.

“A Ponte da Amizade é uma das vias de comunicação com o exterior, logicamente muito importante, e sabemos o que representa para o país, para Alto Paraná e Ciudad del Este. Diariamente são feitas avaliações da situação de ingresso do vírus (covid-19) e, lamentavelmente, a situação não permite que se abra novamente”, disse o ministro.

Pelo Twitter, o prefeito havia apelado: “Abram a Ponte da Amizade. Precisamos trabalhar”.

Curiosamente, em outra postagem no Twitter, de 6 de agosto, havia uma enquete com a questão: “Está de acordo com a reabertura da Ponte da Amizade, respeitando todos os protocolos?”

A enquete teve 8.712 votos. Venceu o “não”, com 64,5% da votação. Não se sabe se houve ou não fraude, mas, se é a favor da reabertura, o prefeito deveria retirar a postagem.

Conferência com Brasil

Os paraguaios, na videoconferência, não tocaram no assunto reabertura de fronteira.

Em videoconferência na terça-feira, 25, os ministros de Relações Exteriores do Paraguai, Antonio Rivas, e do Brasil, Ernesto Araújo, conversaram sobre várias questões entre os dois países, inclusive sobre a emergência sanitária e a segurança da fronteira.

No entanto, não se chegou – ou isso nem foi aventado – a nenhuma conclusão a respeito da reabertura das fronteiras. O Brasil, até poucos dias atrás, estava disposto a um acordo pela reabertura, mas o interesse do Paraguai se desfez com o aumento dos casos e mortes por covid-19 no país.

Como está a covid-19 no Paraguai

Velocidade no aumento de casos e o que mais assusta. Foto Ministério de Saúde do Paraguai

O departamento de Alto Paraná, cuja capital é Ciudad del Este, teve uma redução no crescimento do número de casos, nos últimos dias. Mesmo assim, soma 4.757, ou 31,2% do total.

O Paraguai encerrou ontem, quarta-feira, com 14.782 casos confirmados, dos quais 8.134 recuperados e 6.941 ativos. Já há 247 mortes.

Até ontem, havia 213 pessoas internadas, das quais 67 em unidades de terapia intensiva. Em Ciudad del Este, o número de leitos ocupados é a maior preocupação, já que se chegou ao limite.

O número de pessoas que se recuperaram da covid-19 tem um índice muito baixo, de 55%. No Paraná, por exemplo, o índice de recuperação é de 66%.

O grande problema não é o total de casos nem a questão das mortes em si, mas o fato de muitas delas serem resultado de condições precárias de atendimento, por falta de insumos e até por falta de profissionais.

Velocidade

Outra questão é que o aumento no número assusta, pela velocidade em que ocorre agora, ao contrário dos primeiros meses da pandemia.

Em apenas 16 dias, o Paraguai viu aumentar o número de casos de 6.508 para – – até ontem – 14.782, crescimento de 127%. No mesmo período, as mortes aumentaram de 69 para 247. Isto é, 257% a mais.

O crescimento do número de pessoas que morreram com covid-19, em relação ao aumento dos casos, foi proporcionalmente muito superior. Mais uma indicação de que a saúde pública tem falhas e, também, que os pacientes demoram pra procurar ajuda médica.

O diretor da Décima Região Sanitária do Paraguai, que corresponde a Alto Paraná, disse ao ABC Color que “continuam chegando pacientes em estado muito grave e, lamentavelmente, falecem nas salas de reanimação”. Segundo ele, de cada 10 pacientes que entram no setor de terapia intensiva, oito morrem. “Essa é uma realidade em Alto Paraná”, disse.

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