Grupo brasileiro quer fazer do Paraguai fornecedor mundial de maconha medicinal

A LaCann Group, holding que reúne três empresas brasileiras (Green Flower Brazil, Indeov e InterCan Academy), quer transformar o Paraguai em fornecedor de cannabis medicinal para as empresas que já atuam neste mercado, no Brasil. E, mais que isso, quer fazer do país vizinho um fornecedor mundial de maconha, noticia a revista Exame.

Apesar do estigma que cerca o assunto, lembra a Exame, o Brasil já permite desde 2015 a produção e o comércio de produtos derivados da cannabis para uso na medicina. Na venda, já existem mais de 100 e-commerces, que operam de forma binacional, comprando de fornecedores de países onde o mercado é legal, como Canadá e Estados Unidos, e vendendo para o consumidor brasileiro.

Tanto a produção como o comércio dependem de autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Já o consumidor precisa de receita médica e também de autorização da Anvisa para comprar derivados como o canabidiol, à venda on line.

Na produção e venda, há duas empresas, a farmacêutica brasileira Prati Donaduzzi e a Nunature, fundada por empresários americanos.

EXPANSÃO

Agora, o mercado tende a crescer. A LACann Group pretende formar uma cadeia completa de produtos derivados da cannabis, informa a Exame.

O grupo vai plantar maconha no Paraguai e produzir derivados de diversos tipos para as empresas que atuam no mercado nacional de cannabis medicinal com autorização da Anvisa. E fornecer para todo o mundo.

O empresário Daniel Rodrigues, co-fundador do grupo, diz que o Paraguai tem o melhor custo de produção de maconha do mundo, principalmente pelo baixo preço da energia elétrica.

“O Paraguai é como se fosse uma China da América Latina. É a mesma coisa de você pensar por que a Apple não faz o iPhone nos Estados Unidos, mas na Ásia, mesmo podendo”, explica Daniel Rodrigues.

Com menos custos, a empresa quer oferecer produtos derivados da cannabis com custo efetivo real, sem valores abusivos. Segundo a Exame, a Prati Donaduzzi importa sua matéria-prima de uma empresa canadense ao preço de R$ 0,38 o miligrama, em média.

A ideia da LACann Group é oferecer produtos para marcas que possam entregar nas farmácias brasileiras por cerca de R$ 0,20 o miligrama.

ÁREA E INVESTIMENTOS

Custo de produção da maconha, no Paraguai, permite entregar insumos a preços mais baixos. Foto Pixabay

Para o plantio, a LaCann Group já conta com uma área de 25 hectares no Paraguai, onde vai construir estufas fechadas para o plantio de maconha. Conta, também, com mais de 30 profissionais especializados.

A intenção é investir cerca de R$ 80 milhões na produção. Em 18 meses, a empresa deve estar pronta para fornecer derivados medicinais próprios.

Há outras empresas que pretendem produzir maconha, inclusive no Brasil, mas a LaCann acredita que o Paraguai vai se destacar como um local barato para produzir matéria-prima de cannabis.

Independentemente de as farmacêuticas conseguirem autorização para plantar aqui, nós vamos conseguir mostrar para os investidores brasileiros que o custo efetivo lá (no Paraguai) é menor. É um custo três vezes menor de energia, mão de obra mais barata…”, explica Daniel Rodrigues.

PRODUÇÃO AUTORIZADA

Desde o ano passado, o Paraguai já está emitindo licenças para a produção de cannabis medicinal no país. Em fevereiro do ano passado, das 18 empresas que pediram autorização para produzir, 12 conseguiram a licença.

Pela legislação, a empresa que produz a maconha medicinal deve entregar 2% da produção ao Ministério da Saúde, para que seja entregue gratuitamente a pessoas que se tratam com este medicamento.

Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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