Havia sete corpos no contêiner que chegou ao Paraguai. Quatro tinham documentos

Dos cinco contêineres que trouxeram fertilizantes da Sérvia, um deles trazia também clandestinos, que morreram na viagem.

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H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Na tarde de sexta-feira, 23, foi encontrado mais um corpo no contêiner procedente da Sérvia. No total, são sete corpos em estado de putrefação, depois de uma viagem de quase três meses pelo Atlântico.

Os corpos estavam num dos cinco contêineres de fertilizantes importados da Sérvia por uma empresa paraguaia. Eles foram encontrados por empregados da importadora, quando o contêiner foi aberto.

O jornal Última Hora informa que quatro corpos foram analisados por médicos-legais, que conseguiram descobrir a identidade e origem de quatro deles. Três tinham documentos do Marrocos e outro do Egípcio.

O Paraguai já entrou em contato com a embaixada do Egito em Montevidéu, Uruguai, já que não há representação oficial egípcia no país.

Também participaram do trabalho de sexta-feira agentes da Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol), que vão compartilhar informações com a Sérvia, além de Marrocos, Egito e outros países da região.

Também foi feito contato com a delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha em Brasília, que mantém base de dados de migrantes desaparecidos.

O contêiner saiu de um porto da Sérvia no dia 21 de julho e chegou ao porto privado de Villeta, no Paraguai, no dia 19 de outubro, há cinco dias.

O médico forense Pablo Lemir, do Ministério Público do Paraguai, ainda não sabe informar com exatidão qual a causa da morte dos migrantes, mas o próprio contêiner onde estavam, com pouca ventilação e ainda contendo fertilizantes, acelerou o processo de decomposição.

Pelo menos um dos corpos, disse o médico ao jornal ABC Color, apresentava uma característica de morte por asfixia. Ele tinha “coloração rosada nos dentes, o que nos faz pressupor que faleceu por asfixia”. Mas falta analisar ainda os outros.

Ele lembrou que uma pessoa pode aguentar muito tempo sem consumir alimentos e algumas horas sem água. Mas, sem oxigênio, morre em poucos minutos. “A inanição se tolera muitíssimo mais, porque o corpo vai consumindo a si mesmo”, disse.

A viagem deveria ser curta, por isso presume-se que os migrantes morreram poucos dias após a partida do porto na Sérvia.

Rota dos migrantes

A Sérvia, na Europa Oriental, está na “rota dos Balcãs”, que foi oficialmente fechada em 2016, mas ainda usada por milhares de migrantes, na tentativa de chegar à Europa Ocidental, informa matéria publicada no G1.

Cerca de 30 mil migrantes foram registrados na Sérvia no primeiro semestre de 2020, quase três vezes mais do que no ano passado, de acordo com dados oficiais.

A migração para a Europa diminuiu muito no auge da pandemia, entre março e julho, mas parece que está voltando com força.

O caso da vinda do navio para o Paraguai, ao invés de algum destino europeu, foi provavelmente por um erro dos traficantes de pessoas, que cobram para levar migrantes de países do Oriente Médio e da África, principalmente, para os países ricos da Europa.

Pode até ter sido proposital, já que os criminosos estavam com o dinheiro que cobraram dos migrantes.

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