Leitor de jornal paraguaio diz por que brasileiros vão menos a Ciudad del Este

O “gancho” jornalístico é o aniversário de Ciudad del Este, 64 anos comemorados ontem, quarta-feira (3). A notícia em comum, entre jornais paraguaios, é a crise da cidade, em pleno aniversário. Faltam compradores, existe a concorrência das lojas francas em Foz e havia, já antes da pandemia, uma crise se instalando na cidade.

Tanto o La Nación como o Última Hora abordam o assunto. No La Nación, um leitor iguaçuense manifestou-se com um comentário que faz pensar (ou deve fazer pensar os empresários de Ciudad del Este):

“Eu sou de Foz e, de verdade, não nos dá gosto comprar em CDE. Comprávamos antes porque não tínhamos opção. Agora temos lojas em nosso próprio país, aceitam em reais, fazem em prestações sem acréscimo e dão garantia de um ano. Quando vamos a CDE, os paraguaios pensam que somos milionários e nos logram sempre, o atendimento é ruim e é tudo muito sujo. Foz teve 27 mil turistas em janeiro, destes somente 2.634 pessoas foram ao Paraguai fazer compras.”

Este número apresentado pelo leitor, que se identificou como Gabriel Locatelli, será difícil confirmar (2.634 turistas que foram ao Paraguai). Mas o que ele diz serve realmente para os setores públicos e empresariais de Ciudad del Este estudarem e tentarem reverter esta imagem que a cidade tem entre os brasileiros.

CRISE NO 64º ANIVERSÁRIO

Tanto o jornal La Nación como o Última Hora entrevistaram a presidente do Conselho de Desenvolvimento de Ciudad del Este (Codeleste), Linda Taijen, a propósito do aniversário da cidade.

Ao La Nación, Linda Taijen, reiterou que os problemas são os de sempre: diminuição da competitividade, instalação de lojas francas nas cidades fronteiriças do Brasil, falta de infraestrutura e problemas de segurança.

“Cada vez estão instalando mais lojas francas em Foz. Isso vai diminuir muito as vendas em Ciudad del Este, haverá fechamento de locais de comércio e diminuição dos postos de trabalho. São aspectos que o governo deve olhar com muita preocupação, porque a gente vem advertindo há anos sobre esta situação”, disse.

A presidente do Codelestre calcula que a recuperação até agora, do que havia sido perdido com a pandemia e o fechamento da fronteira, atinge cerca de 40%.

Ela reconheceu que o custo excessivo do dólar é um dos grandes problemas, mas que a cotação alta não afeta os brasileiros de alto poder aquisitivo, que continuam viajando para comprar produtos importados. Mas que, se Ciudad del Este não oferece segurança, não se moderniza, não melhora sua infraestrutura, esses brasileiros farão as compras nas lojas francas de Foz e nas outras cidades de fronteira onde estão sendo habilitados os duty free.

GOLPES SUCESSIVOS

Ao jornal Última Hora, Linda Taigen lembrou que o comércio de fronteira foi o que gerou o crescimento econômico da região, tornando Ciudad del Este uma das mais importantes do país.

Mas, com a pandemia e o fechamento da fronteira, houve “o colapso de muitos locais de comércio, a demissão massiva de funcionários, isto é, são golpes sucessivos que, indubitavelmente, como esteños, temos a fortaleza de manter-nos em pé, mas isso nos preocupa”.

O comércio, disse, está com uma margem de comercialização muito baixa, como nunca antes havia ocorrido, e a concorrência com as lojas francas de Foz tende a agravar ainda mais a situação.

“Antes que cheguemos a uma instância irreversível, temos que trabalhar para podermos nos posicionar e nos manter num nível competitivo importante, para continuar recebendo a maior quantidade de turistas de todos os lados”, afirmou.

CONCLUSÃO

Entre os comentários do La Nación, o de um iguaçuense que deve ser considerado.

A opinião do iguaçuense, manifestada no comentário que enviou ao La Nación, deve ser levada em conta. O dólar alto, o risco provocado pela pandemia (que ele não citou), as vezes em que turistas foram vítimas de roubos e achaques, a falta de infraestrutura na cidade (o que inclui uma limpeza pública deficiente), tudo isso conta contra Ciudad del Este.

Mas isso pode ser revertido, porque ninguém quer uma vizinhança empobrecida, sem condições de sobrevivência.

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Claudio Dalla Benetta - H2FOZ

Cláudio Dalla Benetta é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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