Prefeitura de Ciudad del Este propõe “passaporte sanitário” para reabrir fronteira

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

O secretário de Indústria e Comércio de Ciudad del Este, Iván Airaldi, disse que está sendo planejado um protocolo específico para a “reabertura inteligente” da Ponte da Amizade, informa o jornal La Nación.

A intenção é que possam circular, somando ambos os lados, entre mil e 1.500 veículos por dia. Para isso, segundo Airaldi, seria preciso fazer testes periódicos de covid-19 em ambos os lados da ponte, de forma rápida.

“As pessoas estão esperançosas de que a reabertura será a solução”, disse o secretário. Mas afirmou que “não queremos abrir por abrir, mas sim construir um processo para ter ferramentas”.

Airaldi disse que a Prefeitura de Ciudd del Este está consciente de que o novo coronavírus continua latente, principalmente no Brasil, mas que é preciso gerar competitividade a Ciudad del Este.

Além da reabertura da ponte, a cidade precisa de outros tipos de ajuda, como a aprovação do projeto do regime de reexportação comercial, que a Câmara de Comércio e Serviços de Ciudad del Este já apresentou ao Congresso, além de um tratamento especial para que as empresas tenham acesso a créditos emergenciais.

De acordo com o secretário, 14% das empresas não conseguem ter créditos devido à crise provocada pela pandemia, por isso seria preciso que a concessão do crédito considerasse a situação em 2019.

Fome e necessidade

Para Prieto, única solução é reabertura da ponte. Foto Wilson Ferreira/Última Hora

O prefeito de Ciudad del Este, Miguel Prieto, disse à rádio Universo 970 que “há pessoas passando fome, há muita necessidade” e que a única saída para a crise econômica é a reabertura da Ponte da Amizade”.

Segundo o prefeito, mais de 70 mil pessoas perderam seu ganha-pão desde o início da pandemia. “Nos aguardam meses e meses de recessão econômica. Não nos vamos recuperar da noite pro dia”, afirmou.

O próprio orçamento da Prefeitura já está comprometido, disse ainda Miguel Prieto.

Delivery ameniza um pouco a crise em Pedro Juan Caballero

Enquanto isso, na cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero, na fronteira com Ponta Porã (MS), vários comércios estão fazendo liquidações para evitar ainda mais perdas econômicas, mas a venda para moradores do lado brasileiro, em pontos de delivery, ajuda a amenizar um pouco a situação.

Segundo o jornal Hoy, o porta-voz da Câmara de Comércio de Pedro Juan Caballero, Julio Winkler, disse à rádio Ñanduti que várias lojas continuam abertas, mas reduziram ao máximo o pessoal e os salários.

Winkler contou que todos os comerciantes estão se preparando, tanto no emocional como economicamente, para sobreviver até dezembro, mês até o qual a situação crítica se estenderia.

“Muitos reduziram ao máximo o número de empregados como também os salários. Há uma espécie de entendimento entre patrão e empregado, se trabalha menos horas, se trabalha de maneira inteligente para sobreviver até dezembro, que nós entendemos é até onde irá esta pandemia e o fechamento da fronteira”, disse o empresário.

De acordo com ele, das 300 lojas que vendiam para turistas, hoje trabalham cerca de 100, em horário reduzido. “Abrem umas 4 ou 5 horas por dia, atendendo paraguaios e um pouco do lado brasileiro”, especificou. E fazem liquidações.

Um dos pontos de delivery. Foto Emerson Dutra, jornal La Nación

“Vendemos duas mercaderías por um mesmo preço, pra ser mais atrativo. No Brasil não há restrição de circulação, e isso em algum sentido nos ajuda. Nós podemos entregar os produtos nos oito pontos habilitados como deliveries, e dessa maneira estamos sobrevivendo”, concluiu.

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