Se você vai ao Paraguai, cuidado com os flanelinhas. Eles podem ser violentos

H2FOZ – Cláudio Dalla Benetta

Apesar de uma portaria municipal recente proibir a presença de flanelinhas nos semáforos de Ciudad del Este, eles continuam agindo. E, pior: agredindo.

Nesta segunda-feira, 16, um flanelinha atacou uma caminhonete com um pedaço de pau, porque o motorista recusou seu “serviço”.

A agressão foi filmada por outro motorista e viralizou nas redes sociais. Ela ocorreu na esquina das avenidas República de Bolívia e San Blás, segundo o jornal ABC Color. E isso já virou rotina, porque a maioria desses flanelinhas está geralmente sob efeito de álcool ou drogas.

O problema é que o número deles aumentou muito. Se até alguns anos atrás havia flanelinhas que agiam em conluio com os próprios agentes de trânsito, mas não passavam de meia dúzia, agora se multiplicaram.

A diretora regional do Ministério da Criança e da Adolescência, Liz Cardoso, disse ao ABC Color que, com a pandemia de covid-19, aumentou a presença de pessoas nas vias públicas, com alguma atividade de sustento informal.

Segundo ela, o problema é complexo e não será solucionado de forma rápida. É a mesma opinião do diretor do setor de desenvolvimento social da Prefeitura, Sebastián Martínez.

Em entrevista ao jornal La Clave, ele disse que foi feito um acompanhamento das pessoas em situação de rua, para serem reintegradas à comunidade, mas não foi possível pela “complexidade do problema”.

O trabalho revelou que há pelo menos 150 pessoas em situação de rua em Ciudad del Este, muitas delas com antecedentes criminais, drogadição e demência, entre outros problemas.

Na semana passada, a Câmara de Vereadores de Ciudad del Este aprovou uma portaria que proíbe a presença de flanelinhas no município. Pela portaria, as crianças que estão nessa atividade serão encaminhadas ao Centro Educativo Municipal, enquanto adolescentes e jovens vão ara a Escola de Artes e Ofícios.

Para os adultos, a ideia é que tenham acesso a um emprego, mediante um convênio entre a Prefeitura e os sindicatos empresariais e comerciais da cidade. Já em relação aos drogados, passarão por uma desintoxicação em centros de reabilitação, com parte dos gastos de internamento custeados pela Prefeitura.

A portaria foi resultado de um projeto do vereador Teodoro Mercado, ante as constantes queixas de motoristas, segundo o jornal La Clave. “Os flanelinhas (limpiavidros) são violentos e estão visivelmente sob efeitos de alguma substância. Em várias ocasiões foram retirados das ruas pela polícia, mas voltam quase imediatamente”, diz La Clave.

Enquanto não houver solução para o problema, vale o aviso: fique atento e tome cuidado com os flanelinhas de Ciudad del Este.

Se recusar o “serviço”, o motorista pode ser alvo de ameaças e até de agressões. Foto ABC Color
error: O conteúdo é de exclusividade do H2Foz.