Sequestro de ex-vice-presidente do Paraguai completa dois anos nesta sexta

Família segue sem informações sobre o estado de saúde de Óscar Denis, raptado por guerrilheiros em 9 de setembro de 2020.

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Família segue sem informações sobre o estado de saúde de Óscar Denis, raptado por guerrilheiros em 9 de setembro de 2020.

Levado à força por homens armados que invadiram sua estância na zona rural de Yby Yaú, Centro-Norte do Paraguai, em 9 de setembro de 2020, o ex-vice-presidente Óscar Denis Sánchez está há dois anos sob o poder da autodenominada guerrilha Exército do Povo Paraguaio (EPP). A data foi recordada por familiares na manhã desta sexta-feira (9).

Em declarações à imprensa, Beatriz Denis, filha do dirigente político, fez críticas ao governo paraguaio pela falta de resultados em encontrar o cativeiro do pai e de outras duas pessoas sequestradas por grupos extremistas, Edelio Morínigo (raptado pelo próprio EPP) e Félix Urbieta (capturado por uma célula dissidente, o Exército de Mariscal López).

“Estamos significativamente decepcionados com o improviso do governo. Observamos, com dor, que os sequestrados vão caindo no esquecimento. Dois anos sem pistas, sem avanços e sem sinais de avanço contra o crime organizado. Não há iniciativas para acabar com o negócio do sequestro”, afirmou.

Segundo Beatriz, o único contato dos guerrilheiros com a família ocorreu dois dias após o rapto, em uma carta na qual pediam US$ 2 milhões em doações de alimentos a comunidades pobres da região de Concepción em troca da libertação do político, que hoje tem 76 anos e já estava afastado da vida pública no momento do ocorrido.

O caso é tido como o mais grave no país desde o sequestro e assassinato de Cecilia Cubas, filha do ex-presidente Raúl Cubas, em 2004. O EPP tem como origem militantes acusados de envolvimento na morte de Cecilia. A fundação do grupo, oficialmente ativo desde 2008, teve como inspiração as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).

Recompensa

Na terça-feira (6), o Senado aprovou projeto que prevê recompensa no valor de até G$ 7 bilhões (R$ 5,2 milhões) para quem aportar informações concretas que levem ao paradeiro de Óscar Denis, Edelio Morínigo e Félix Urbieta. O texto, já analisado pela Câmara dos Deputados, foi enviado ao presidente Mario Abdo Benítez para sanção.

Eleito senador pelo Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA) em 2008, Óscar Denis assumiu o cargo de vice-presidente em 2012, quando o posto ficou vago após o impeachment do presidente Fernando Lugo e sua substituição pelo vice Federico Franco. Foi sucedido, em agosto de 2013, por Juan Afara, eleito na chapa de Horacio Cartes.

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