Uma organização com sede em Foz do Iguaçu se tornou mais uma peça na rede de colaboração da causa indígena. Fundado neste ano, o Instituto Protelli Teko Porã surgiu com a missão de apoiar comunidades instaladas na Região Oeste.
Lançada em Foz do Iguaçu no dia 8 de outubro, a organização oferece assistência jurídica, antropológica, de saúde e de sustentabilidade às comunidades. O trabalho é feito por profissionais contratados, das áreas de antropologia, direito e administração, e cerca de 15 voluntários.
Atualmente, o instituto auxilia quatro comunidades indígenas, uma em Foz do Iguaçu e três em Terra Roxa, perto de Guaíra.
Presidente do Protelli Teko Porã, o empresário de Curitiba Armando Tortelli diz que a organização está aberta para fazer parcerias com universidades e outros órgãos. “Acreditamos que a primeira questão é chegar nas aldeias e escutar. Nós não queremos chegar como salvadores da pátria, queremos levar uma solução para as inúmeras fragilidades que as aldeias têm do ponto de vista material”, frisa.
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Conforme Tortelli, entre as principais demandas das comunidades estão a questão jurídica e da saúde mental, cujo foco é evitar episódios de suicídio, que têm sido comuns. O instituto também apoia assistência a gestantes com a viabilização de pré-natal.
“A sociedade sabe que existe esta ferida, mas não se está abrindo caminhos para dar o remédio certo. E o remédio certo é construir com eles”, realça.
Os projetos do instituto em andamento são plantios de mandioca e horta. Na comunidade Arapy, em Foz do Iguaçu, a organização ajudou a criar uma horta comunitária. Em três aldeias de Terra Roxa, ela contribuiu no plantio de mandioca.
Presidente da Associação da Aldeia Araguaju, Siriaco Lopes afirma que em Terra Roxa foi viabilizado o plantio de três hectares de mandioca em três comunidades. A mandioca, de acordo com ele, é para consumo próprio.
Na região, boa parte dos indígenas precisa sair das comunidades para trabalhar. Eles atuam em empresas ou por temporadas na capinagem ou colheita de maçã em outros estados.
Os problemas também se estendem com a educação. A Escola Arandu, onde há aulas no contraturno, não existe cozinha nem estrutura para servir merenda aos alunos. E algumas crianças precisam andar 2,5 quilômetros para pegar ônibus quando as aulas são na cidade.
Siriaco ainda sinaliza ser preciso de mais incentivo à agricultura. Faltam ferramentas, máquinas, trator, apoio técnico e recursos para implantar um sistema de cultivo familiar.

Economia de comunhão
Parte da sustentabilidade do instituto vem das empresas de Tortelli. Natural do Rio Grande do Sul, ele foi para Curitiba ainda jovem, aos 17 anos. Hoje, atuante no terceiro setor, tem empresas voltadas para uma economia de impacto social. “Para nós, não faz sentido empreender e ganhar dinheiro unicamente pela adrenalina, mas sim para provocar o impacto social”, salienta.
Ele diz que sua trajetória empresarial na economia de comunhão foi traçada em 1991, quando conheceu o modelo no qual o homem está no centro da atividade econômica, e não o lucro. A economia de comunhão hoje se faz presente em 180 países, segundo o empresário.
Tortelli considera que já tem um DNA da economia de comunhão, por isso mantém o desejo de construir a justiça social e oferecer aos funcionários um ambiente de trabalho satisfatório.
“No mundo empresarial, sobretudo quando se tem uma vocação, é possível sobreviver e há espaço para trabalhar com ética, transparência. O mercado reconhece isso, e há espaço para construir empresas sólidas e rentáveis”, pontua.

