Na 3ª epidemia seguida de dengue em Foz, são 11 mil notificações e casos da doença

Impacto na saúde, uso do fumacê, mosquito mais forte e prevenção são tratados em entrevista com Jean Rios, do Centro de Controle de Zoonoses.

Diz o bordão que quem emplaca três tem direito de pedir música. Estivesse nessa competição, o Aedes aegypti já poderia fazer sua solicitação. Explica-se: Foz do Iguaçu enfrenta a terceira epidemia seguida de dengue. A atual já supera 11 mil notificações e casos da doença, além de três mortes, dentro do ano epidemiológico que começou em agosto de 2020 e terminará no próximo mês de julho.

Os impactos no sistema de saúde decorrentes de uma epidemia de dengue com a pandemia de covid-19, uso de fumacê, adaptações que tornam o mosquito mais forte e, claro, prevenção são assuntos tratados na entrevista com Jean Rios, coordenador do Programa de Vetores do Centro de Controle de Zoonoses. O servidor público participou do programa Marco Zero, parceria entre o H2FOZ e a Rádio Clube FM.

O Marco Zero é um programa conjunto produzido pelo H2FOZ e Rádio Clube FM. Entrevista, opinião, enquete, entretenimento, esporte, cultura e agenda. Todo sábado, das 10h às 12h. Participe do grupo no Whatsapp para receber as novidades.  https://bit.ly/3ws5NT0

Assista à entrevista:

“Três anos consecutivos em epidemia de dengue. Isso é muito ruim para a saúde púbica e para uma cidade turística como Foz do Iguaçu, pois as pessoas não viajam para um município em que a dengue esteja pegando”, enfatiza. Ele lembra que o mosquito também é o responsável pela transmissão de outras doenças, como a chikungunya e o vírus da zika.

Conforme o técnico do CCZ, apesar da redução dos casos de dengue apresentada nas últimas semanas, o quadro ainda é muito preocupante devido ao alto índice de infestação pelo Aedes aegypti na grande maioria dos bairros de Foz do Iguaçu. Outra preocupação é quanto à adaptação do mosquito às condições iguaçuenses, complementa.

“O mosquito já é extremamente adaptado ao nosso modo de vida e resistente a vários grupos químicos usados no seu combate”, aponta Jean. “Ele vem se adaptando e evoluindo, tornando cada vez mais difícil o seu controle”, afirma. Segundo o servidor, nem mesmo a estiagem é mais sinal de redução na incidência do vetor no município.

“Nossos levantamentos mostram que o mosquito busca pequenos criadouros, objetos com água em que não há um predador natural.”

“Nossos levantamentos mostram que o mosquito busca pequenos criadouros, objetos com água em que não há um predador natural”, explica. “Ele não vai procurar um rio ou córrego, por exemplo, por ser uma larva mais lenta em relação a outras, e por isso seria facilmente predado”, relata o profissional que atua no combate às zoonoses.

“A adaptação do mosquito se deu por meio de pequenos objetos, como plástico, metal, borracha, vidro e outros. O Aedes aegypti se acostumou a esses pequenos criadouros”, enfatiza. Devido à falta de chuvas, o vetor também fez dos reservatórios de água, como caixa-d’água, cisterna e poço, ambientes favoráveis à sua reprodução.

Com a proximidade do inverno, chama a atenção Jean Rios, a preocupação das equipes de combate à dengue no município volta-se para as piscinas, já que muitas pessoas deixam de usá-las e, por consequência, de tratá-las. “Alertamos a população para que tratamento das piscinas com o cloro deve ser mantido nesse período”, lembra.

Fumacê

Na entrevista ao Marco Zero, o coordenador insere o fumacê entre as ações diárias de combate à dengue, afirmando que essa técnica é um recurso complementar. Segundo Jean, o método foi usado nos meses de outubro e novembro do ano passado, mas não foi comprovada a sua eficácia, tendo sido interrompido o uso dessa prática.

“Notamos na avaliação que, infelizmente, não teve redução no índice de infestação nem no corte da transmissão. Todo o esforço empregado na técnica de fumacê não surtiu os efeitos desejados. Comunicamos os governos estadual e federal, os quais estão avaliando eficácia do inseticida e essa técnica”, declara.

Conhecimento x Ação

Para Jean, há um descompasso entre todo o conhecimento acumulado em relação à dengue e a transformação desse saber em ação, proatividade. “A gente observa isso diariamente, devido à forma como encontramos o mosquito em pátios e quintais. Precisamos evoluir muito na luta contra o mosquito”, aponta.

De acordo com ele, as pessoas devem adotar o “combate à dengue como uma prática, um hábito diário”, referindo-se aos cuidados preventivos que cada morador deve assumir. “Pessoas já contrariam dengue duas ou três vezes. Com isso, a chance da doença evoluir para uma forma mais grave é muito maior. Dengue mata. Infelizmente parece que a população não despertou para isso ainda”, conclui.

Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é jornalista e repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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