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Meio Ambiente

"Nebulosa"

Descubra o nome escolhido para a harpia nascida no Refúgio Biológico da Itaipu

Votação aconteceu pela internet e contou com a participação de 350 pessoas. Espécie corre risco de extinção.

3 min de leitura
Descubra o nome escolhido para a harpia nascida no Refúgio Biológico da Itaipu
Refúgio Biológico Bela Vista é o maior centro de reprodução de harpias do mundo. Foto: Davi Macedo/Itaipu Binacional

A mais nova harpia (Harpia harpyja) do Refúgio Biológico Bela Vista (RBV), em Foz do Iguaçu (PR), já tem nome. Após votação nas redes sociais da Itaipu Binacional, que contou com a participação de aproximadamente 350 pessoas, a escolhida foi Nebulosa. As outras opções eram La Niña, Neblina e Nevasca.

A ave nasceu no dia 4 de abril e é a 60.ª harpia registrada no local. Atualmente, com pouco mais de 50 dias de vida, ela pesa cerca de 2,5 quilos e já passou por um cuidadoso processo de manejo no RBV, reconhecido como o maior centro de referência na reprodução de harpias do mundo.

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De acordo com a equipe do refúgio, o desenvolvimento do filhote ocorre em etapas bem-definidas. Inicialmente, o ovo permanece no ninho com os pais por cerca de 50 dias. Em seguida, é transferido para uma chocadeira, onde fica por mais seis dias até a eclosão. Logo após o nascimento, o filhote segue para a incubadora, na qual permanece entre 20 e 30 dias.

Na sequência, a equipe mantém a ave em uma sala climatizada, com controle de temperatura e umidade, por cerca de três meses. Depois, transfere o animal para um espaço maior, com poleiros que permitem os primeiros voos e o acesso gradual à gaiola externa.

Segundo a zootecnista Fabiana de Orte Stamm, do RBV, os primeiros dias de vida exigem atenção constante. Ao nascer, os filhotes pesam cerca de 70 gramas. “Nós abatemos roedores, cortamos em pedacinhos bem pequenininhos e vamos fornecendo para ela”, explica. Todo esse processo é monitorado de perto pela equipe, que registra dados e observa o desenvolvimento da ave.

Fabiana de Orte Stamm - Itaipu Binacional
A zootecnista Fabiana de Orte Stamm acompanha todo o processo de desenvolvimento e reprodução das harpias. Foto: William Brisida/Itaipu Binacional

Cuidados

Um cuidado especial marca a rotina de alimentação da Nebulosa. Para evitar o chamado imprinting, fenômeno em que o animal passa a reconhecer humanos como membros de sua própria espécie, os tratadores usam uma estratégia peculiar. “A pessoa fica atrás de uma cortina e dá a comida para a ave de maneira escondida”, descreve Fabiana.

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Na fase adulta, as harpias impressionam pelo porte. Enquanto os machos chegam a cerca de cinco quilos, as fêmeas podem atingir entre sete e oito quilos. A alimentação é exclusivamente carnívora, com uma média de 750 gramas de proteína animal oferecida três vezes por semana. “Como são grandes aves de rapina, não precisam se alimentar diariamente e podem ficar de um a dois dias em jejum”, acrescenta a zootecnista.

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Para Fabiana, iniciativas como a votação do nome têm um papel fundamental. “Essas ações são importantes porque chamam o público para pensar e se preocupar com a conservação dos animais. A gente sabe que é conhecendo que as pessoas protegem”, reforça.

Risco de extinção

A harpia pode viver até 50 anos. Contudo, sua presença na natureza é cada vez mais rara. A estimativa atual aponta entre 700 e 2,5 mil indivíduos em toda a área de ocorrência da espécie, número que segue em declínio. No Brasil, cerca de 200 animais vivem sob cuidados de humanos, distribuídos em 40 instituições.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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