Que tal a ferinha? O gatinho-maracajá nasceu na noite de Natal. Ah, quase não dá pra ver o filhote, superprotegido pela ferinha-mãe. Foto Sara Cheida

Fofura selvagem: filhote de gato-maracajá do Refúgio Biológico de Itaipu está com 18 dias

Espécie ameaçada de extinção, o filhote de gato-maracajá (Leopardus wiedii) que nasceu no dia 25 de dezembro foi como um presente de Natal para o pessoal que trabalha no Refúgio Biológico Bela Vista, mantido pela Itaipu binacional.

Na segunda-feira, 11, ele teve o sexo identificado (é macho), foi pesado (140 gramas) e passou por exames clínicos, além de receber um microchip, para ter identificação permanente.

“Observamos que ele está tendo um desenvolvimento normal. Já estão nascendo os primeiros dentinhos e a mãe cuida bem do filhote”, afirmou o médico veterinário Pedro Teles, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu.

Uma miniatura selvagem. O bichinho está sendo bem cuidado pela mãe, segundo o veterinário. Foto Sara Cheida
O Refúgio de Itaipu é referência para a espécie, segundo o veterinário Pedro Teles.

CASAL “IDOSO” REPRODUZIU PELA PRIMEIRA VEZ

O gato-maracajá vai ficar com a mãe por cerca de seis meses, em recinto do zoológico, e poderá ser visto pelos visitantes neste período. Depois, o felino deverá integrar um programa de reprodução em cativeiro, no próprio refúgio de Itaipu ou em outro zoológico ou criadouro.

“Não há muitos animais desta espécie em cativeiro. É um animal que precisa se reproduzir mais para que possamos avançar em projetos futuros”, explicou o médico veterinário, referindo-se a programas de reintrodução da espécie na natureza.

O nascimento foi muito comemorado pela equipe técnica de Itaipu. Em 36 anos, nasceram no refúgio 34 gatos-maracajás, mas havia cinco anos que a espécie não se reproduzia no local. Atualmente, o plantel conta com 12 animais da espécie, incluindo o novo integrante da família.

Outro dado que chamou a atenção dos profissionais é que os pais, que vivem no refúgio de Itaipu desde o nascimento, já têm 12 anos (idade considerada avançada) e reproduziram pela primeira vez.

Colocação de um microchip sob a pele, para identificação permanente. Foto Sara Cheida

TÍPICO DA MATA ATLÂNTICA

Pedro Teles explica que o gato-maracajá, quando adulto, pode chegar a quase um metro de comprimento e cerca de cinco quilos. É um animal silvestre, encontrado em quase todo o território brasileiro, especialmente na Mata Atlântica.

O gato-maracajá é muito confundido com a jaguatirica, devido à coloração dourada com pintas e rosetas pretas. No entanto, é menor em tamanho, mas possui cauda, patas, olhos e orelhas maiores proporcionalmente.

Seus hábitos são estritamente noturnos e suas características favorecem bastante seu hábito arborícola (passa a maior parte do tempo em galhos altos). Por isso, o gato-maracajá prefere matas densas para viver. A gestação dura pouco mais de 80 dias e nasce apenas um filhote por vez.

As principais ameaças para a extinção do maracajá são a perda de habitat, atropelamentos e a caça por retaliação devido à predação de aves domésticas. Segundo estimativas, existem entre 4,7 mil e 20 mil indivíduos na natureza no Brasil. Em 15 anos, o equivalente a três gerações, a expectativa é que haja uma redução de 10% no número da espécie.

Ainda de acordo com Teles, há poucos estudos sobre esse felino, mas historicamente o Refúgio Biológico Bela Vista é considerado referência para a melhor compreensão da fisiologia e reprodução da espécie, pela quantidade de animais em seu plantel e por mais de três décadas de conservação da espécie.

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