A Doença de Alzheimer já tem Cura

A doença de Alzheimer é um tipo de enfermidade demencial, neurodegenerativa e progressiva. No Alzheimer, os neurônios são destruídos em certas partes do sistema nervoso, o que pode levar a déficits nas funções cognitivas, como a memória, as habilidades linguísticas / verbais, as capacidades visuoespaciais; bem como, distúrbios em funções comportamentais, como por exemplo, a distração, a depressão e a agressividade.

Segundo a norte-americana, The Alzheimer’s Association, essa doença é o principal motivo dos diagnósticos de demência, sendo responsável direta por 60% a 80% dos casos registrados atualmente. Apesar de apresentar sintomas, majoritariamente em pessoas no período final da meia idade e no início da terceira idade, o Alzheimer não é exclusivamente um problema da velhice. Aproximadamente, 200.000 americanos com idade inferior a 65 anos têm o problema, que é conhecido como Doença de Alzheimer de Início Precoce.

A doença de Alzheimer é diagnosticada, inicialmente, através de exames neurológicos, de avaliação cognitiva e de imagem estrutural e / ou funcional do cérebro, para a identificação de atrofia cerebral e hipometabolismo das regiões afetadas.

O diagnóstico laboratorial, pode ser obtido através de biomarcadores que acusam a presença ou não da doença. No método com base em biomarcadores fluidos – também conhecido como diagnóstico in vitro – requer a coleta de amostras do líquido cefalorraquidiano (LCR), que é uma substância que envolve e circula no cérebro e no canal da medula espinhal.

Pelo menos, nos últimos 15 anos não apareceu nenhuma droga com efeito impactante na evolução do Alzheimer em pacientes diagnosticados. Os recursos medicamentosos conhecidos apenas retardam o desenvolvimento da doença. Ou seja, até onde se sabe de maneira global, o portador desse problema, não pode ser curado, no máximo consegue um prolongamento do tempo no processo de deterioração das funções cogntivas e comportamentais em andamento.

Ao contrário do que se concluía até o momento, a doença não tem uma causa única, mas se trata de problema multifatorial. Pode se desenvolver a partir de variáveis genéticas herdadas, ambientais e / ou inflamatórias e através da alimentação e estilo de vida inadequados.

Algumas dos principais causadores relativos à alimentação, são:

• Consumo de alimentos açucarados.
• Consumo de alimentos superindustrializados (fast-foods)
• Consumo do glúten por meio de farinhas refinadas.
• Consumo de leite e derivados (principalmente por adultos).
• Ingestão de metais tóxicos.
• Excesso de Ômega 6.
• Deficiência de Ômega 3.

Algumas dos principais causadores relativos ao estilo de vida, são:

• Sono frequentemente inadequado e / ou insuficiente.
• Obesidade.
• Sedentarismo.
• Tabagismo.
• Higiene oral deficiente (infecções e inflamações).
• Estresse mental e emocional excessivos e continuados.

Protocolo de Tratamento do Alzheimer

Em 1994 o Dr. Dale Bredesen – Duke University Medical Center e Residente Chefe em Neurologia na University of California em San Francisco (UCSF) –, após 30 anos de estudos sobre doenças neurodegenerativas, através de pequisas laboratoriais, comprovou que quando se extrai determinados nutrientes ou se acrescenta composto levemente tóxico em células nervosas, elas combatem esses elementos e conseguem suportar tais mudanças, mas quando se acrescenta genes de doenças neurodegenerativas, essas células morrem, aparentemente sem apresentarem resistência alguma. Como diz o próprio Dr. Brendesen (2017), “é como se o exército inteiro se rendesse após o inimigo fazer apenas alguns poucos disparos”.

Esse fato se inicia a partir de um fenômeno chamado suicídio celular. Para a Biologia, essa ocorrência é algo natural quando acontece no lugar e no tempo certos, entretanto, acontecendo de maneira desordenada pode gerar doenças degenerativas, como é o caso do Alzheimer.

Em seu livro, O Fim do Alzheimer (link com trecho inicial disponibilizado gratuitamente em pdf na bibliografia desse artigo), o Dr. Brendesen demonstra de maneira simples e científica as causas, os gatilhos, os exames e o tratamento criado e chamado por ele de ReCoDE, acrônimo em Inglês de Reversal of Cognitive Decline [Reversão do Declínio Cognitivo], detalhando minuciosamente como o processo neurodegenrativo pode ser interrompido e até revertido.

Não se trata de terapia alternativa e / ou mística, e sim, método médico-científico exaustivamente testado e aplicado com sucesso nos pacientes monitorados.

O protocolo ReCoDE consiste em um programa de 36 pontos relativos à medicamentos, mudanças na dieta, suplementos vitamínicos, estimulação cerebral, exercícios físicos e mudança de hábitos e na rotina diária. Esses pontos precisam passar por exames para que o tratamento seja otimizado individualmente nos casos diagnosticados, de acordo com as particularidades biomédicas de cada paciente.

Além de comprovar o fato do Alzheimer ser desenvolvido por dezenas de fatores, uma boa notícia é que, felizmente também é apresentada a curabilidade para cada um deles. Em termos gerais, se conclui de maneira empírica que não é através de um único fármaco que se resolve as dezenas de fatores causantes, e sim, por meio de várias ações simultâneas. Felizmente se comprovou que, mesmo em número diverso, tais causas são tratáveis, uma a uma. Segundo os relatos da equipe de médicos que trabalham com o Protocolo ReCoDE, por exemplo, pacientes que haviam deixado de trabalhar, voltaram às suas vidas profissionais depois de determinado tempo de adesão ao tratamento.

Em palestra ministrada em Nova York (TED Manhattan Beach), entitulada “A Abordagem Precisa para o Fim da Doença de Alzheimer, (Precision Approach to End Alzheimer’s Disease) o Dr. Bredesen, fala para o público de maneira simplificada sobre seus estudos e resultados utilizando seu método. Em entrevista concedida à CBS, também nos Estados Unidos, além da entrevista com o Dr. Brendesen, a TV americana mostra o relato de uma enfermeira que foi diagnosticada com a doença de Alzheimer em estágio inicial, e seu sucesso na volta a vida normal após o tratamento. (os dois links estão nas indicações adicionais desse artigo).

O Programa ReCoDE, normalmente apresenta resultados a partir de 6 meses de adesão. O mais impressionante é que nesse protocolo de tratamento, não se conseguiu apenas a sessação do progresso da doença, mas a regressão do problema. Isso significa que em algumas pessoas em estágios da doença, onde por exemplo, já não se falavam mais, voltaram a se comunicar verbalmente e foram capazes de relatar o que se passava com elas antes desse sintoma, fato inédito na história dos estudos do Alzheimer.

Por que o Protocolo de Tratamento não é Amplamente Difundido?

Após ler um pouco sobre tais descobertas bem sucedidas sobre uma doença, até então, sem tratamento eficaz, você pode se perguntar, da mesma maneira que eu me perguntei ao ter contato com essas informações: “Porque isso não é divulgado amplamente ao público?”. A resposta é relativamente simples e minimamente previsível… mesmo com todos os insucessos, a indústria farmacêutica gasta, ao menos 2,5 bilhões de Dólares para o desenvolvimento de um novo medicamento (Ano-Base 2017). Todo esse investimento, gera um retorno com altos lucros. O tratamento apresentado pelo Dr. Brendesen tem baixos custos e praticamente nenhuma contra-indicação. Isso não agrada e nem é atraente a uma indústria que ganha fortunas com os protocolos e resultados antigos.

Além da parte financeira puramente, se coloca no livro um raciocínio interessante: “Para uma tecnologia ser bem-sucedida, a realidade deve preceder as relações públicas, pois não dá para ‘tapear a natureza’. São os mecanismos subjacentes de uma doença que ditam o tratamento que, por fim, se revelará eficaz — não a indústria farmacêutica, não o governo, não os revisores de pedidos para testar um medicamento, não a NIH (National Institute of Heath – Instituto Nacional de Saúde), não as fundações, não os bilionários.” Bredesen, Dale E.; O fim do Alzheimer; Ed. Objetiva (2017).

Prevenção e Diagnóstico do Alzheimer

Da mesma maneira que outras doenças de caráter degenerativo, o Alzheimer tem início silencioso. A fase assintomática pode durar décadas, bem como o déficit cognitivo subjetivo, também pode se estender por cerca de uma década. Quanto antes o problema for diagnosticado melhor para o controle e a reversão do curso da doença.

Quando se sabe que a pessoa tem casos de doenças neurodegenerativas na família, tanto do lado materno quanto paterno, existe o chamado teste genético com base nas apolipoproteínas (APoE2, APoE3 e APoE4). Nos casos em que a enfermidade não tenha se manifestado, esse exame vai indicar o grau de vulnerabilidade genética no desenvolvimento da doença. Isso quer dizer que quem tem maior propensão a ter Alzheimer pode tomar providências profiláticas.
Entretanto, independente de casos ocorridos, ou não, na árvore genealógica familiar, todas as pessoas, a partir dos 45 anos, deveriam fazer a chamada cognoscopia, o exame com a função de detectar qualquer anomalia cerebral. A cognoscopia, resumidamente, consiste na combinação de exames de sangue, testes genéticos, avaliações cognitivas simples, e resonância magnética.

A conjugação entre coleta de infomações genéticas, bioquímicas e a tecnologia usada na Medicina junto ao Protocolo ReCoDE demonstrou sucesso consistente no tratamento de pacientes com Alzheimer, e já é considerado o primeiro método comprovado de tratamento com reversão da Doença de Alzheimer. Mais informações no vídeo “A Ciência por trás do Protocolo Bredesen: tratamento eficaz para o Alzheimer”, nas indicações adicionais desse artigo.

Não precisamos mais ter medo da doença de Alzheimer. Se você tem ou não casos de Alzheimer na família, não há porque hesitar, os recursos preventivos e de tratamento já existem para todos. O caminho para que essa seja a última geração com o temor dessa doença está pavimentado.

Por: João Paulo Costa, psicólogo em Foz.

Referências:
Bredesen, Dale E.; O fim do Alzheimer; Ed. Objetiva; 2017

Indicações adicionais:
Livro “O Fim do Alzheimer” (trecho gratuito):
https://www.companhiadasletras.com.br/trechos/28000515.pdf

TED x Manhathan Beach (em inglês sem legendas em Português):
https://www.youtube.com/watch?v=TzJSCttlQmc&t=20s&ab_channel=TEDxTalks

CBN NEWS (entrevista legendada em Português):
https://www.youtube.com/watch?v=nEXOciMN5nY&ab_channel=ClinicaOhrPsiquiatria

Vídeo (legendado em Português) “A Ciência por trás do Protocolo Bredesen: tratamento eficaz para o Alzheimer”:
https://www.youtube.com/watch?v=6RsdEq06Yvs&feature=emb_title

 

*João Paulo Costa, é psicólogo em Foz do Iguaçu

________________________________

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ.

Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail [email protected]

OPINIÃO

Este texto é de responsabilidade do autor/da autora e não reflete necessariamente a opinião do H2FOZ. Quer divulgar a sua opinião. Envie o seu artigo para o e-mail [email protected]

OPINIÃO tem 20 posts e contando. Ver todos os posts de OPINIÃO