Leitores entraram em contato com o portal H2FOZ relatando dificuldades para fazer o Documento de Trânsito Vicinal Fronteiriço (DTVF), exigido para quem quer cruzar a Ponte da Integração, que liga Foz do Iguaçu a Presidente Franco, com carro de passeio.
A reclamação parte principalmente de brasileiros que cursam medicina no Paraguai e precisam atravessar diariamente a fronteira, além de trabalhadores e empresários.
A passagem pela via, antes restrita para caminhões vazios, de pequeno porte e ônibus, foi liberada para carros de passeio, das 7h às 13h, pela Comissão Mista Brasil-Paraguai, em setembro deste ano. Para isso, condutor e passageiros precisam apresentar o DTVF.
Uma leitora disse que ela e amigos foram até a Direção Nacional de Migrações em Ciudad del Este para retirar o DTVF, contudo, como já havia solicitado o documento paraguaio, que é exigido para estudantes de medicina, foi orientada a procurar o Brasil.
Boa parte dos cerca de 15 mil brasileiros que cursam medicina em Ciudad del Este e região cruzam diariamente a fronteira.
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O problema é que as pessoas gastam tempo e cerca de G$ 30 mil guaranis (cerca de 28 reais) para providenciar a documentação, e não têm o pedido atendido. Há casos de famílias com duas ou mais pessoas que precisam do DTVF, o que acaba onerando os custos decorrentes da burocracia.
Burocracia paralisante
Empresário do setor de transporte, o brasileiro Gilberto Blum disse que foi várias vezes à Direção Nacional de Migrações em Ciudad del Este na tentativa de fazer o documento, porém, a exemplo dos estudantes de medicina, teve o pedido negado por já ter carteira de residente no Paraguai.
Recentemente, ele foi informado por funcionários do setor de migração que o assunto está sendo tratado em Assunção e há chances do procedimento ser revisto. “Em Assunção eles não conhecem a realidade da fronteira”, frisa.
Para os brasileiros, a emissão do DTVF é feita exclusivamente no Paraguai. Para os paraguaios, o procedimento está sob responsabilidade da Polícia Federal (PF). O documento é exclusivo para moradores de Foz do Iguaçu, Ciudad del Este, Presidente Franco e Hernandarias.
Para os paraguaios, o documento custa R$ 63,85. Inicialmente, o valor estipulado para os brasileiros era de G$ 234.154 (cerca de R$ 205), no entanto, após reclamações o valor foi reduzido para G$ 74.929 (aproximadamente R$ 64).
Procurada pela reportagem, a PF informou que, como a pessoa já tem documentação no Paraguai, não pode possuir dois documentos, ou seja, uma carteira de migração do Paraguai e um documento transfronteiriço. Se o cidadão possui documento de residente, ele não se enquadra como um transfronteiriço.
O mesmo vale para os paraguaios que moram aqui. Se eles têm a carteira de residente, não se enquadram na de fronteiriço.
Passagem ociosa
Apesar de ter sido liberada para carros de passeio, a Ponte da Integração, inaugurada em dezembro de 2025, ainda está ociosa. Conforme levantamento feito pela Receita Federal (RF), entre os dias 14 de setembro e 14 de outubro, apenas 20 veículos saíram do Brasil em direção ao Paraguai, enquanto 28 fizeram o caminho contrário, ou seja, entraram em Foz do Iguaçu pela ponte.
O total de passageiros nos dois sentidos foi de 53.

