Historicamente, a atualização do salário mínimo no Paraguai apenas repõe as perdas trazidas pela inflação, sem ganho real aos trabalhadores. Neste ano, contudo, o governo do país optou por uma fórmula diferente.
De acordo com o gabinete da Presidência da República, o salário mínimo no Paraguai terá, a partir de 1.º de julho, reajuste de 5%. Tal percentual supera os 2,4% do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), a inflação acumulada dos últimos 12 meses.
Assim, os trabalhadores legalmente registrados deverão receber, como remuneração mínima, G$ 3.044.000 (cerca de R$ 2.555).
O salário mínimo, porém, chega somente a uma pequena parcela da população do Paraguai. Atualmente, a informalidade gira em torno de 60% do mercado de trabalho no país, fazendo com que o alcance do reajuste seja limitado.
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Ante os temores de efeitos inflacionários decorrentes do novo mínimo, o presidente do Banco Central do Paraguai (BCP), Carlos Carvallo, descartou o risco.
Em declarações reproduzidas pelo jornal La Nación, Carvallo disse que a entidade simulou vários cenários. “Não vemos que isso possa ter um impacto muito relevante na trajetória da inflação”, afirmou.
Para 2026, o BCP projeta que o Paraguai fechará o ano com inflação próxima ao patamar de 3,5%. Os principais fatores de alta estão relacionados a questões externas, como o impacto da guerra no Oriente Médio nos preços dos combustíveis.
Já a decisão do governo de subir o salário mínimo acima da inflação tem como objetivo redistribuir renda em meio ao crescimento da economia nacional.

