Em 1984, Foz do Iguaçu tinha uma população, uma economia e uma conformação urbana diferentes das atuais. Mas alguns dos problemas apontados naquela edição do Diário da Cidade ajudam a recuperar parte da história da cidade e das reivindicações que estavam em debate, pautas, aliás, que atravessam o tempo e permanecem “vivas”.
Em sua terceira edição, há 42 anos, o jornal ilustrava a capa com o título “Foz do Iguaçu exige”, acompanhado de uma lista por melhorias em várias áreas. A cobrança tinha razão de ser: a cidade virava a página do regime dos interventores, em que os moradores não podiam eleger pelo voto direto seus prefeitos. O conteúdo está disponíve no Museu da Imprensa.
Assumia a administração, em um processo de transição para a democracia, o empresário Wádis Benvenutti, nomeado pelo governo estadual. Saía a farda, abria-se a porta para o início da era da governança de civis no Palácio das Cataratas.
Problemas da cidade
A capa do jornal é histórica pela importância do momento e das cobranças, e pelo recurso usado pelos editores do Diário da Cidade para amplificar a mensagem. Título forte, pautas expostas, foto da região central e charge de apoio. A seleção dos temas foi assertiva, reveladora das áreas consideradas prioritárias naquele momento.
As reivindicações estavam relacionadas à segurança, empregos, transporte, limpeza, iluminação, turismo, saúde, educação, trânsito, cultura e lazer. Entre os destaques estavam os “25 mil desempregados”, a precariedade do transporte coletivo e a falta de iluminação em uma cidade apresentada como “Capital da Energia”.
No turismo, a publicação registrava a mudança de posição da cidade no cenário nacional, caindo, cenário que difere do atual. A lista de demandas se completava com saúde, educação, trânsito, cultura e lazer.
Importante notar como as pautas ligadas a questões sociais, ou seja, diretamente vinculadas aos direitos da população, e as de estrutura, de algum modo, continuam a desafiar Foz do Iguaçu. Entra gestor, sai gestor, o pedido por melhoria na qualidade de vida do iguaçuense permanece. E a memória coletiva, neste caso, pela imprensa, persiste para indagar o presente e ajudar a construir um futuro melhor.
As reivindicações na capa do Diário da Cidade, 42 anos atrás, eram:
- segurança: “Somos os alvos mais vulneráveis”
- empregos: “25 mil desempregados”
- transporte: “Um mínimo de linhas e raras frequências”
- limpeza: “Sujeira e mato por toda parte”
- iluminação: “Capital da Energia e mal iluminada”
- turismo: “De 29 passamos a 5º polo turístico”
- saúde: “Dependemos só do INAMPS [instituto federal que geria o segmento de saúde]”
- educação: “Creches e Jardins” e “Escolas Elementares”
- trânsito: “Cidade perigosa e mal sinalizada”
- cultura: “Concha Acústica”, “Arena e Casa da Cultura”
- lazer: “Não temos praças, parques ou jardins”
Veja a edição do jornal na íntegra.
Museu da Imprensa
Acervo digital de jornais, revistas e publicações impressas de Foz do Iguaçu, com acesso público e gratuito. Reúne documentos que testemunham a trajetória do município e de sua gente, em imbricação com as Três Fronteiras — Argentina, Brasil e Paraguai.
A coleção inicial reúne quase 20 mil páginas, cobrindo um período histórico de seis décadas, a partir de 1953. O conteúdo é resultado do esforço coletivo de resgate, preservação e valorização desse patrimônio. O projeto é uma iniciativa da Associação Guatá, com apoio da Itaipu Binacional.
Acesse: www.museudaimprensafoz.com.br
Siga: @museudaimprensafoz
Participe do grupo no WhatsApp:
https://chat.whatsapp.com/CSurBq3JBozGLRAN0aUfyI

