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Cultura Neoguarani

Tríplice Fronteira perde o artista plástico Miguel Hachen

Criador da arte neoguarani, ele retratou a cultura da Tríplice Fronteira em obras como o painel "A Lenda das Cataratas do Iguaçu", na Praça da Paz.

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Tríplice Fronteira perde o artista plástico Miguel Hachen
Miguel Hachen era conhecido por retratar a pluralidade cultural da região no estilo Neoguarani. Foto: Welyton Manoel

O artista plástico Miguel Hachen, conhecido por retratar a pluralidade cultural da região no estilo neoguarani, morreu, nessa quinta-feira (27), em Foz do Iguaçu.

Ao longo da carreira, ele traduziu em cores e formas as lendas e histórias da fronteira. Hoje, seus murais estão espalhados por vários pontos da Tríplice Fronteira.

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Entre eles, um dos mais conhecidos é o painel A Lenda das Cataratas do Iguaçu, na Praça da Paz, no centro de Foz. Com 165 metros quadrados, a obra em mosaico traz imagens da fauna e da flora do Parque Nacional do Iguaçu. Nela, ele também retratou a história de amor entre os indígenas Naipi e Tarobá, que explica a origem das Cataratas.

Nascido na Argentina, Miguel tinha 63 anos e vivia em Foz do Iguaçu havia mais de 30 anos. Iguaçuense de coração, ele levava para as obras experiências da infância, na província de Misiones, onde teve contato com a cultura indígena e com os povos gaúchos do Rio Grande do Sul.

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Neoguarani

Em matéria publicada no site da Prefeitura de Foz do Iguaçu, em julho de 2021, ele explicou que o neoguarani nasceu como uma corrente estética, na tentativa de criar uma identidade visual e representar as tradições da região.

“Somos o resultado de uma mistura cultural com grande influência do povo guarani (tanto em vocábulos da língua portuguesa falada no Brasil, como na culinária e na toponímia regional), que é resgatada nesta forma de expressão artística”, afirmou à época.

Com o tempo, suas obras chegaram a países vizinhos, como Argentina, Paraguai, Bolívia e Chile, em exposições, cursos e oficinas de arte pública. Além disso, a arte neoguarani cruzou o oceano e passou a integrar acervos na Itália, Alemanha, Reino Unido, Estados Unidos e Marrocos, entre outros países.

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Antes disso, Miguel estudou Artes Plásticas na Associação Estímulo de Belas Artes e na Nova Escola de Artes Visuais, ambas em Buenos Aires. Ademais, foi nesse período na capital argentina que percebeu a importância da cultura nas expressões artísticas.

“Eu nasci no meio do mato. Meu primeiro contato com a luz elétrica foi somente aos 11 anos, quando me mudei para Buenos Aires. Eu morava a poucos quilômetros de uma aldeia Mbyá-Guarani, então tudo o que eu aprendi ali, as vivências da infância, marcaram para sempre. Fui para a capital, estudei arte e voltei para me reencontrar com a minha cultura”, ressaltou à Prefeitura de Foz em 2021.

“PoeLenda das Cataratas”

Em 2022, Miguel Hachen lançou a obra PoeLenda das Cataratas e doou mil cópias à prefeitura. Em seguida, a administração municipal distribuiu os exemplares aos Centros de Referência de Assistência Social (CRASs) para exposição ao público.

Voltados ao público infantil, os livros também foram para as escolas municipais, os Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) e à Biblioteca Municipal. Com isso, buscavam, sobretudo, estimular a leitura e aproximar as crianças do patrimônio cultural da cidade.

No livro, a lenda da formação das Cataratas é contada em versos e ilustrada por Miguel no estilo neoguarani, que ele desenvolveu a partir de referências dos povos indígenas da região trinacional.

Além de PoeLenda das Cataratas, Miguel Hachen assina os livros para colorir Arte da Terra sem Mal e La Naturaleza del color. Por fim, o artista também é autor do painel Ysy, Kuarahy ha Yvytu (A Mãe Água, o Sol e o Ar), obra que remete às origens da região em meio ao polo de tecnologia e desenvolvimento do Itaipu Parquetec.

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    Vacy Álvaro

    Vacy Álvaro

    Vacy Alvaro é jornalista e coordenador do núcleo de Jornalismo de Dados/Infográficos do H2FOZ.

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