Quem nunca passou por uma situação parecida? Você abre a geladeira, fica alguns segundos olhando para as prateleiras e, de repente, percebe que não faz a menor ideia do que foi buscar ali. Ou então sai de casa com a missão de comprar um item específico no mercado, mas chega ao local sem conseguir lembrar exatamente o que precisava levar.
Esses pequenos esquecimentos fazem parte do cotidiano de muitas pessoas e, não raramente, despertam preocupações. Afinal, será que esquecer tarefas simples é um sinal de que a memória está piorando?
A resposta nem sempre é tão simples.
Embora o envelhecimento possa trazer mudanças naturais no funcionamento cognitivo, a idade está longe de ser o único fator envolvido nos episódios de esquecimento. Em muitos casos, a explicação pode estar relacionada a algo que acompanha pessoas de todas as faixas etárias: a atenção.
Quando realizamos uma atividade de forma automática, dividimos nosso foco entre várias tarefas ou deixamos a mente vagar para preocupações futuras e situações passadas, aumentam as chances de não registrarmos adequadamente as informações do momento presente. E aquilo que não foi devidamente registrado pela atenção dificilmente será recuperado pela memória mais tarde.
É por isso que muitas vezes não lembramos onde colocamos as chaves, se tomamos um medicamento ou qual era o produto que precisávamos comprar. Em diversas situações, o problema não está exatamente em esquecer, mas em não ter prestado atenção suficiente quando a informação surgiu.
Vivemos em uma época marcada por notificações constantes, excesso de informações e múltiplas demandas simultâneas. Enquanto respondemos a mensagens, pensamos nos compromissos do dia seguinte, acompanhamos notícias e tentamos resolver várias questões ao mesmo tempo, nosso cérebro é continuamente solicitado a mudar de foco. Esse comportamento pode gerar a sensação de que estamos esquecendo mais do que antes.
Por isso, especialistas destacam a importância de cultivar momentos de presença e atenção plena no cotidiano. Pequenas atitudes, como realizar uma tarefa por vez, reduzir distrações durante atividades importantes e criar estratégias de organização, podem contribuir significativamente para o funcionamento da memória.
Isso não significa ignorar sinais persistentes ou mudanças importantes na capacidade de lembrar informações. Quando os esquecimentos passam a comprometer a rotina, o trabalho, os estudos ou as relações pessoais, a avaliação profissional é recomendada para identificar possíveis causas e orientar os cuidados adequados.
Mas antes de concluir que a idade é a única responsável pelos lapsos de memória do dia a dia, talvez valha a pena observar um aspecto fundamental: o quanto estamos realmente presentes nas experiências que vivemos.
Afinal, muitas vezes não esquecemos porque a memória falhou. Esquecemos porque a atenção estava em outro lugar.
O episódio desta semana do Quem foi que disse? convida o público a refletir sobre a relação entre atenção, memória e qualidade de vida, desconstruindo a crença de que todo esquecimento é necessariamente um sinal de envelhecimento ou de algum problema mais grave.
Assista ao novo episódio:
Quem foi que disse? é uma realização do H2FOZ em parceria com o Polo Iguassu, promovendo reflexões sobre saúde mental, comportamento e qualidade de vida por meio de conteúdos acessíveis.

