Dengue e doenças respiratórias lotam UPAs e hospitais de Foz

Alguns pacientes aguardam dias nas UPAs à espera de vaga no Municipal; prefeitura diz que vai contratar leitos particulares

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Moradores de Foz do Iguaçu que dependem da saúde pública estão apreensivos com a demora no atendimento nas duas unidades de pronto atendimento (UPAs) e com a falta de vagas para internamento no Hospital Municipal, que está com 100% dos leitos ocupados.  

Com a alta demanda provocada por casos de dengue e o aumento da ocorrência de doenças respiratórias neste período, a espera para atendimento nas UPAs é de quatro horas ou mais. A remoção para o hospital pode demorar dias.

Para contornar o problema, a prefeitura lançou um edital visando a contratar leitos em hospitais particulares, inclusive de outros municípios, caso seja preciso. O credenciamento das instituições hospitalares pode ser feito a qualquer momento, desde que haja necessidade de contratação do serviço, informa a prefeitura.

Na UPA Jorge Samek, situada no Jardim das Palmeiras, 56 pacientes aguardavam transferência nesta terça-feira, 14, para o hospital. Na quinta-feira, 9, o número era de 78 pacientes.

Na UPA Walter Cavalcanti Barbosa, no Morumbi, a movimentação também é intensa e, em alguns períodos, não há lugar nem para ao menos sentar. Lá, 40 pacientes aguardavam, nesta terça-feira, 14, vaga para ser transferidos ao Hospital Municipal.

Upa Walter Cavalcanti
Na UPA do Morumbi demanda é alta em certos horários. Foto: Marcos Labanca

Os pacientes com sintomas de dengue devem inicialmente procurar as UPAs para depois ser encaminhados ao hospital, caso seja necessário. O tempo de permanência dos pacientes nas duas UPAs deveria ser de no máximo 24 horas.

Leitos

A situação também é crítica no Hospital Costa Cavalcanti, onde a taxa de ocupação dos leitos chega a 98%.

Sem ter onde recorrer, os moradores com condições financeiras procuram farmácias para receber atendimento.

De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, Foz do Iguaçu dispõe hoje de 393 leitos no Sistema Único de Saúde (SUS), dos quais 217 estão no Hospital Municipal; 126, no Hospital Costa Cavalcanti; e 50, no Hospital Cataratas.

A alta demanda por serviços médicos se deve, em parte, à epidemia de dengue – que já provocou a primeira morte na cidade. A vítima foi um homem de 47 anos que faleceu dia 14 abril após a doença evoluir. A cidade contabiliza 5.180 casos confirmados e 22.419 notificações. Outros 11 óbitos estão sendo investigados.

No banheiro

Moradora do Panorama, Cláudia Rubio levou a filha para ser atendida na UPA Walter Cavalcanti, na última quarta-feira à noite, e não havia espaço nem para sentar-se. O único lugar onde a jovem de 24 anos pôde ficar foi dentro do banheiro. Diagnosticada com dengue, ela apresentava vômito e diarreia enquanto aguardava atendimento.  

Para ela, deveria haver um sistema para agilizar pelo menos a aplicação de soro em pacientes com dengue. Cláudia também diz que o investimento da Fartal, que foi cancelada deveria ser direcionado para a saúde. “Por que o prefeito não cuida do povo que está em situação precária nas UPAs?”

Moradora do Morumbi, Delides Paranhos, 52 anos, estava ontem na UPA com a neta de 7 anos, que contraiu uma virose. Ela disse que no primeiro dia de atendimento ficou mais de quatro horas aguardando. Nessa segunda-feira, 13, ela voltou à UPA e esperava desde as 13h o resultado de um exame.

“Os funcionários falam que está demorando e está faltando médico”, contou. Na avaliação de Delides, falta atenção do poder público, incluindo autoridades como o prefeito e vereadores, para a situação da população.

Segundo ela, sempre no período de eleições os políticos dizem que vão ajudar a melhorar a condição dos moradores, mas depois nada acontece. “É igual promoção de loja, é dois dias e depois acabou.”

Para a moradora, nem mesmo o anúncio de cancelamento da Fartal, sob a justificativa de ajudar as vítimas da enchente no Sul, “cola” porque ela considera a feira ruim.

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