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Quem foi que disse?

Diga seu voto, ganhe um rótulo

“Quem foi que disse?” desta semana aborda a facilidade com que diferenças políticas viram julgamentos sobre a inteligência e a sensibilidade dos outros.

2 min de leitura
Diga seu voto, ganhe um rótulo
Você consegue respeitar quem pensa e vota diferente?

Basta revelar em quem pretende votar para receber um diagnóstico improvisado: burro, manipulado, insensível… É dessa reação, cada vez mais familiar nas conversas sobre política, que parte o Quem foi que disse? desta semana. O episódio questiona o hábito de usar a preferência eleitoral como medida da capacidade intelectual ou do caráter de alguém.

Assista o novo episódio:

A discussão começa com uma conversa entre dois personagens. Um deles não consegue admitir que outro psicólogo vote em determinado candidato. A escolha parece tão absurda aos seus olhos que dispensa qualquer pergunta sobre os motivos. O julgamento já está pronto.

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A cena encontra uma explicação possível no realismo ingênuo, conceito da psicologia social desenvolvido por Lee Ross e Andrew Ward. Trata-se da tendência de considerar a própria percepção um retrato objetivo da realidade. A partir daí, quem discorda parece estar mal-informado, raciocinando mal ou sob influência de interesses e ideologias.

É um raciocínio que pode passar despercebido numa discussão: os meus argumentos vêm de uma análise cuidadosa; os seus, de manipulação. A possibilidade de ambos interpretarmos os acontecimentos a partir de experiências e valores diferentes fica pelo caminho.

O episódio também aborda a assimetria na atribuição de motivos. Em contextos de conflito, uma tendência a associar as ações do próprio grupo ao amor por seus integrantes e as do grupo adversário ao ódio pelo outro.

Nas conversas cotidianas, isso ajuda a entender por que alguém descreve o próprio voto como um gesto de proteção e o voto alheio como demonstração de desprezo.

Questionar esse mecanismo não elimina a responsabilidade pelas escolhas políticas. Candidatos, propostas e decisões precisam ser confrontados com fatos e suas consequências. A provocação do quadro está no salto entre criticar uma escolha e decretar a inferioridade de quem a fez.

Antes de encerrar a conversa com uma ofensa, há uma pergunta que merece espaço: sabemos por que aquela pessoa pensa assim ou apenas acreditamos saber?

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O Quem foi que disse? é uma realização do portal H2FOZ.

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    Isabela Collares

    Isabela Collares

    Isabela Collares é jornalista em Foz do Iguaçu e apresentadora do quadro "Quem foi que te disse?".

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