Foz do Iguaçu está perto de uma epidemia de dengue

Nas últimas semanas, número de casos disparou. Cidade já contabilizou 5.101 notificações.

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Nas últimas semanas, número de casos disparou. Cidade já contabilizou 5.101 notificações.

Foz do Iguaçu está alerta com o avanço da dengue. Com 5.101 notificações e 318 casos confirmados desde agosto de 2021, início do ano epidemiológico, a doença preocupa em razão do aumento de registros nas últimas semanas, o que pode levar a cidade a uma epidemia. Em todo o estado do Paraná já são 90.344 casos notificados e 30.010 confirmados. Cinco pessoas morreram vítimas da doença, duas na Região Oeste, em Medianeira e Matelândia.

Em Foz do Iguaçu, a área mais crítica é o Distrito Sanitário Leste, que compreende a região do Morumbi, com 31% de todos os casos registrados, seguido pelo Distrito Norte, região das antigas vilas de Itaipu, com 25% de confirmações (ver tabela abaixo). A faixa etária com maior número de casos é de 15 a 29 anos, com 38% dos registros.

Jean Rios, coordenador do Programa de Vetores do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), considera a situação preocupante porque, nas últimas três semanas, a quantidade de casos aumentou. “Os três últimos anos foram epidêmicos, com casos acima da média histórica. Agora voltou ao limite esperado, mas se continuar aumentando podemos entrar em epidemia”, explica Jean. Os meses de abril e maio costumam ser preocupantes em razão do clima, com chuva e calor, frisa.

Para combater a dengue, agentes de endemia estão em campo fazendo busca ativa, a fim de identificar pessoas contaminadas, com base em registros de casos feitos nas unidades básicas de saúde (UBSs). Também são realizadas fiscalizações em terrenos baldios e visitas em casas de moradores. O fumacê, que era aplicado regularmente em anos anteriores, deixou de ser usado porque o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, ficou resistente ao veneno. “O que resolve é a limpeza dos quintais”, ressalta Jean.

Uma novidade no combate à doença é a instalação de estações disseminadoras de larvicidas (EDLs), projeto da Fiocruz Amazônia em parceria com o Ministério da Saúde. As estações são um tipo de armadilha que consiste em um pote plástico com água recoberto de tecido preto com o larvicida em pó. Ao entrar em contato com material, a fêmea do mosquito se contamina com o larvicida e dissemina o produto para outros criadouros onde distribui seus ovos.

A meta da prefeitura é instalar pelo menos 1.200 armadilhas no município em uma primeira etapa. Mais de 350 já estão em funcionamento na Vila C, Portal da Foz, Jardim América, Porto Belo, Lagoa Dourada e Campos do Iguaçu.

Atendimento – Quem apresenta sintomas da dengue deve procurar uma UBS. Lá é feita avaliação, e a pessoa recebe um cartão da dengue para acompanhamento dos sintomas. Se o caso evolui, é preciso procurar uma UPA.

Os principais sintomas da dengue são febre alta, dor de cabeça, mal-estar no corpo e náuseas. O tempo de incubação da doença é de três a cinco dias, e algumas pessoas podem ser assintomáticas. A dengue pode evoluir para a forma mais grave, principalmente em quem é contaminado mais de uma vez.

Localização dos casos confirmados em Foz
Distrito Sanitário Leste: 99 casos – 31%
Distrito Sanitário Norte: 78 casos – 25%
Distrito Sanitário Oeste: 32 casos – 10%
Distrito Nordeste: 35 casos – 11%
Distrito Sanitário Sul: 53 casos – 17%
Ignorados: 9 casos – 6%

Casos por faixa etária
< 1 ano: 2 casos – 1%
1–14 anos: 39 casos – 12%
15–29 anos: 121 casos – 38%
30–44 anos: 82 casos – 26%
45–59 anos: 40 casos – 13%
60 e +: 34 casos – 11%

Denúncias de terrenos e moradias com sujeira podem ser feitas pelo aplicativo 156.

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