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Aumento de encaminhamentos regulados pressiona hospitais da região

Dados do primeiro trimestre apontam crescimento expressivo nos atendimentos no Hospital Municipal Padre Germano Lauck, Hospital Itamed e Hospital Universitário do Oeste do Paraná.

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Aumento de encaminhamentos regulados pressiona hospitais da região
Hospital Municipal atende pacientes de Foz e região - foto: Marcos Labanca/H2FOZ arquivo


Hospitais de referência de Foz do Iguaçu e de Cascavel têm registrado aumento no número de pacientes encaminhados por vaga zero e por determinações regulatórias em 2026. A alta nesse tipo de atendimento vem ampliando a pressão sobre a rede de urgência, emergência e alta complexidade no oeste do Paraná.

A vaga zero é o procedimento usado para o encaminhamento de um paciente em situação de urgência, emergência ou risco iminente de morte que precisa ser atendido imediatamente em um hospital de referência, mesmo que não haja leito disponível naquele momento.

Já os casos de determinações regulatórias são os encaminhamentos de pacientes definidos pelo sistema de regulação, conforme a gravidade do caso, a especialidade necessária e a estrutura disponível na rede de saúde pública e a conveniada.

No Hospital Municipal Padre Germano Lauck, em Foz do Iguaçu, os atendimentos por vaga zero passaram de 487 no primeiro trimestre de 2025 para 1.199 no mesmo período de 2026, alta de 146%. Além disso, entre janeiro e março deste ano, a unidade somou 188 pacientes encaminhados por determinação regulatória.

Itamed

No Hospital Itamed, também em Foz do Iguaçu, os registros de vaga zero e determinações regulatórias passaram de 78 no primeiro trimestre do ano passado para 300 no mesmo período deste ano, crescimento de 284%. Apenas em março deste ano, foram 175 casos, contra 30 em março de 2025.

Universitário

E, em Cascavel, a pressão sobre o Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) também vem chamando a atenção. Em 2025, foram 4.870 registros de determinações regulatórias, ou seja, média de 406 por mês. Já em 2026, foram 1.245 casos no primeiro trimestre – média de 415 por mês.

Hospitais da região

Na prática, o aumento desses encaminhamentos indica que hospitais de referência estão tendo de receber um volume cada vez mais crescente de pacientes em situações que exigem resposta rápida ou atendimento especializado.

O problema, segundo gestores da área, é que parte dessa demanda pode estar chegando aos hospitais de maior complexidade por dificuldade de absorção em outras unidades, gerando impactos econômicos e financeiros e na qualidade do atendimento.

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Rede

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), quando há um paciente em situação de emergência ou em risco iminente de morte, o médico regulador do Samu direciona o caso para o hospital habilitado naquela área específica.

Por meio de nota, a Sesa explicou que esse tipo de atendimento está estruturado na Política Nacional de Atenção às Urgências e é atribuição da Central de Regulação de Urgências vinculada ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Em Foz do Iguaçu, a Central de Regulação de Urgências da prefeitura é responsável pelo Samu nos nove municípios da 9.ª Regional de Saúde. Cascavel, por sua vez, conta com outra central de regulação, integrada ao Consórcio de Saúde dos Municípios do Oeste (Consamu Oeste) para o atendimento às 10.ª e 20.ª Regionais de Saúde.

Questionada sobre os critério para os encaminhamentos, a Diretoria de Urgência e Emergência de Foz do Iguaçu destacou que “há uma significativa participação de pacientes de diversos municípios da 9.ª Regional de Saúde, considerando o caráter regionalizado da rede” e que “parte decorre de determinações da macrorregulação estadual”.

A sobrecarga, no entanto, não se resume à existência ou não de leitos no momento do atendimento. Ela envolve ainda a distribuição regional dos serviços, a capacidade de resposta dos hospitais secundários, a disponibilidade de especialidades e a organização dos fluxos entre municípios e regionais de saúde.

No caso de Foz do Iguaçu, o Hospital Municipal concentra grande volume de urgências e emergências, enquanto o Hospital Itamed recebe casos de alta complexidade em cardiologia, oncologia e gestação de alto risco. Em Cascavel, o HUOP tem papel ainda mais amplo, como referência macrorregional para um conjunto maior de municípios e em áreas como cardiologia, neurologia e ortopedia.

Essa diferença de escala ajuda a explicar por que a pressão sobre o sistema aparece de formas distintas nas duas cidades, mas com um ponto em comum: hospitais de referência acabam absorvendo demandas que exigem articulação de toda a rede.

Soluções

Especialistas da área avaliam que a ampliação da capacidade regional, o fortalecimento dos hospitais secundários e a melhoria dos fluxos de regulação podem reduzir a pressão sobre unidades de referência.

A lógica, afirmam, é permitir que hospitais como o HUOP, o Itamed e o Hospital Municipal concentrem esforços nos casos compatíveis com sua estrutura e vocação assistencial, sem absorver de forma recorrente demandas que poderiam ser resolvidas em outros pontos da rede.

Para minimizar a pressão, a Sesa informou que o Governo do Estado trabalha em diferentes frentes para fortalecer a regionalização da saúde e aproximar os atendimentos da população, entre eles dois ambulatórios médicos de especialidades, em Foz do Iguaçu e Toledo, com previsão de início de construção em breve.

(Com assessorias)

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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