Com 65,08 pontos, Foz do Iguaçu aparece apenas na 845.ª posição no Índice de Progresso Social Brasil 2026. A cidade está empatada com Campo Belo (MG), Presidente Castello Branco (SC) e Cândido Godói (RS) no ranking divulgado nesta semana. O levantamento é baseado em dados oficiais e mede a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais.
A nota fica acima da média nacional (60,44) e da paranaense (62,24), mas coloca a cidade na distante 69.ª colocação dentro do Paraná. Curitiba (71,29), a líder estadual e capital mais bem posicionada da lista, Maringá (70,87), Toledo (68,93), Londrina (67,73) e Cascavel (66,70) são alguns dos municípios do estado que estão à frente de Foz.
Pelo terceiro ano seguido, a pequena Gavião Peixoto (SP), de 4,8 mil habitantes, lidera o ranking, com 73,10 pontos numa escala de 0 a 100. O bom desempenho tem relação com a Embraer, que opera no município desde 2001. O complexo abriga a maior pista de pouso e decolagem da América Latina, com quase cinco mil metros. Na lanterna nacional está Uiramutã (RR), com 42,44 pontos.
Em que Foz vai bem: meio ambiente, conectividade e ensino superior
Em somente dois indicadores, Foz entra no top 100 nacional. Na qualidade do meio ambiente, ocupa o 42.º lugar, com o Parque Nacional do Iguaçu e a matriz energética da Itaipu puxando a nota. No acesso à informação e comunicação, vem em 88.º, com cobertura de internet móvel 4G/5G em 99,71% do território. Em emissões de CO2 por habitante, Foz aparece na “liderança”, zerada, ao lado de outros 1.283 municípios.
A educação superior também ajuda. O município tem 82,29% dos empregados com formação superior, índice muito acima da média do Paraná (53,39%) e do Brasil (44,13%). É o 299.º colocado nesse indicador. No ensino fundamental, a nota 6 no IDEB coloca a cidade em 393.º lugar.
Em oito dos doze componentes do IPS, Foz supera as médias estadual e nacional. Os melhores resultados aparecem em água e saneamento (89,53 contra 77,08 no PR), acesso à informação e comunicação (91,54 contra 73) e qualidade do meio ambiente (71,37 contra 59,90).
No final desta reportagem, confira uma lista com a situação de Foz em todos os indicadores analisados.
Em que Foz patina: moradores de rua, inclusão e violência
Apenas 98 cidades brasileiras têm desempenho pior do que Foz no indicador de famílias em situação de rua. O município aparece na 5.472.ª posição, com 144,67 famílias em situação de rua para cada cem mil habitantes. A média paranaense é 18,55. A brasileira, 15,43. O número expõe a vulnerabilidade local e o efeito da fronteira, que recebe migrantes em trânsito.
A inclusão social é outro ponto fraco. Foz fica na 5.492.ª colocação. Pesam na conta a baixa paridade racial na Câmara Municipal (0,32), a violência contra negros (228,49 casos por cem mil habitantes) e a violência contra mulheres, que chega a 359,45 casos na mesma comparação.
A segurança pessoal também preocupa. A taxa de homicídios chega a 30,07 por cem mil habitantes, o dobro da média paranaense (14,83) e quase duas vezes a nacional (17,50). Entre jovens, os números são piores: 53,21 assassinatos por cem mil, o dobro da média do estado.
Apesar de ser o “quintal” das Cataratas do Iguaçu, Foz tem só 1,75m² de áreas verdes por habitante dentro da malha urbana. A média do Paraná é 12,20m². A nacional, 23,16m². O Índice de Vulnerabilidade Climática Municipal, de 10,7, é considerado alto.
Cidades do mesmo porte: o recorte mais justo
A comparação de Foz com a média nacional infla o desempenho. Mais de quatro mil municípios brasileiros têm menos de 30 mil habitantes — realidade muito diferente de uma cidade fronteiriça com quase 300 mil moradores. O recorte mais honesto é o das 43 cidades brasileiras na faixa de 250 mil a 350 mil habitantes.
Nesse grupo, Foz aparece exatamente na metade: 22.º lugar. Lideram três municípios paulistas com base industrial e universitária forte: Araraquara (70,70), São Carlos (69,74) e Indaiatuba (69,02). No outro extremo aparecem Marabá (PA, 53,20), Parauapebas (PA, 58,04) e Mossoró (RN, 59,94).
Dentro do grupo, Foz tem indicadores fortes. É a terceira no IDEB do ensino fundamental, a quarta na coleta de resíduos adequada (98,21%), a sétima na qualidade do meio ambiente e no abastecimento de água via rede, a nona no acesso à informação e comunicação e a décima no componente água e saneamento.
Em compensação, fica em 38.º lugar em assassinatos de mulheres, em 35.º em famílias em situação de rua e em inclusão social, em 33.º em suicídios e em 31.º em homicídios.
Um dado escapa da boa comparação nacional: o esgotamento sanitário. Frente à média brasileira, de 58%, o índice de Foz parece alto: 84,54%. Porém, entre as 43 cidades da lista, tem só o 30.º desempenho nesse quesito.
No ranking do Oeste do Paraná, Quatro Pontes lidera com IPS de 70,30, seguida por Toledo (68,93) e Cafelândia (68,20). Foz do Iguaçu aparece apenas na 12.ª posição entre os 49 municípios da mesorregião, atrás de polos vizinhos como Marechal Cândido Rondon (6.º, com 66,99) e Cascavel (7.º, com 66,70). Na outra ponta, os piores resultados aparecem em municípios de menor porte e mais vulneráveis, como Boa Esperança do Iguaçu, Rio Bonito do Iguaçu e Capanema, que figuram entre os últimos do recorte analisado.
Sobre o IPS
O IPS é realizado anualmente pelo Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia), em parceria com a organização internacional Social Progress Imperative. O levantamento divide a avaliação em três grupos de indicadores: necessidades humanas básicas, fundamentos do bem-estar e oportunidades. Diferentemente de índices que medem só a riqueza gerada ou a capacidade econômica, o IPS analisa se a população acessa direitos, serviços e condições dignas de vida. Os fatores incluem moradia, saúde, segurança, educação, acesso à informação, inclusão social e qualidade ambiental.


