Para abrir o tema, a equipe do H2FOZ produziu um vídeo em formato de diálogo, interpretado por mim, Isabela Collares, simulando uma conversa entre duas amigas às vésperas de sair para um programa leve e divertido. No meio da troca, uma delas desiste de ir: havia acabado de ver o resultado de um concurso nas redes sociais.
Assista o novo episódio:
Curiosamente, a frustração não veio apenas por não ter sido aprovada. Veio, sobretudo, pelo fato de uma colega ter passado logo no primeiro ano de tentativa, enquanto ela própria tentava havia cinco anos.
A cena, apesar de simples, revela algo profundo: muitas vezes, o que mais dói não é a nossa própria trajetória, mas a forma como interpretamos a trajetória do outro.
A comparação quase nunca mostra o todo.
Na história, o que aparece é apenas a foto no Instagram, o post comemorativo, a legenda com emojis e aplausos virtuais. O que não aparece são as noites mal dormidas, os fins de semana de estudo, as páginas lidas, as dúvidas, o cansaço, os medos e as renúncias. Ou seja, a comparação trabalha sempre com um recorte mínimo de uma realidade muito maior.
E, ao fazer isso, cria distorções: transforma vitórias alheias em ameaças pessoais e processos diferentes em medidas injustas.
O que há por trás do impulso de comparar-se?
Por trás da comparação, geralmente, moram emoções e lacunas profundas, tais como insegurança, sensação de atraso, medo de não ser suficiente, baixa autoestima, necessidade de validação e por aí vai.
Quando a atenção fica excessivamente voltada para a vida do outro, uma energia preciosa deixa de ser investida no que realmente importa: o próprio desenvolvimento.
Comparar-se, muitas vezes, não inspira — paralisa.
Cada pessoa tem um ritmo, uma história, um ponto de partida e um conjunto único de desafios. Não existem duas trajetórias iguais. Quando assumimos a nossa singularidade, algo curioso acontece: a comparação perde força.
E mais do que isso — passamos a torcer genuinamente para que o jardim do outro seja florido. Talvez tão bonito quanto o nosso. Ou até mais.
Porque, no fundo, quando estamos bem com quem somos, a grama do vizinho deixa de ser uma ameaça e passa a ser apenas mais um jardim bonito no caminho. Faz sentido? Boas reflexões!
Veja também:
- “Quem Foi Que Te Disse?” estreia desmistificando a ideia de que autoconhecimento é coisa para “gente mais velha
- Episódio 2 do “Quem Foi Que Te Disse?” discute os impactos da escolha profissional na saúde mental
- Corpo em movimento, mente em equilíbrio
- Corpo nutrido, mente em equilíbrio: o papel do intestino na saúde mental
- Quem foi que te disse que pet é só companhia?
- “Quem foi que te disse” que ciência e afeto andam em lados opostos?
- Na ponta da agulha: episódio do “Quem foi que te disse” levanta debate sobre as conexões da saúde dos órgãos e a saúde mental
- Aprender um novo idioma fortalece a saúde emocional e amplia horizontes
- ChatGPT no divã: pode a inteligência artificial substituir a terapia?
- Não podemos falar sobre morte. Será?
- Saúde mental ao alcance das mãos: o poder do artesanato
- O médico das plantas: qual é a sua dose diária de verde?
- E se o que você acredita sobre si mesmo não for verdade?
- Menos telas: o resgate da infância longe do celular
- Fofoca: o que há por trás do hábito de falar sobre os outros
- Não gosta de ler ou não achou o livro certo?
- Quando a zoeira vira violência: um novo olhar sobre o bullying
- No campo da nutrição, cada profissional aparece com um discurso diferente. E a gente, o que faz?
- Diagnósticos estão na moda? E o sujeito, onde fica?
- E se, em vez de eliminar o desconforto, pudéssemos interrogá-lo?
- Por que perdoar? Quando o corpo e a consciência cobram a conta
- Banho de floresta: por que os japoneses cultivam esse hábito — e como ele pode transformar nossa saúde
- Um ano, três países e muitos motivos para agradecer
- Você tira férias, mas a mente não para
- Família, vínculo ou conflito?


