A cena é clássica. Alguém faz uma pergunta simples: “Que horas são?” E a resposta começa assim: “Então… hoje eu acordei cedo, porque meu despertador não tocou, aí peguei um trânsito enorme, encontrei um conhecido…” Cinco minutos depois, finalmente vem a informação que motivou a conversa.
Se você sorriu, provavelmente já viveu essa situação. Talvez dos dois lados. Porque, convenhamos, quase todo mundo já falou mais do que precisava em algum momento da vida.
Mas o que existe por trás desse comportamento?
A tendência de falar além da conta nem sempre significa falta de educação ou ausência de bom senso. Muitas vezes, ela pode funcionar como uma estratégia emocional. Para algumas pessoas, o silêncio provoca desconforto. Outras sentem necessidade de explicar cada detalhe para evitar julgamentos. Há ainda quem use as palavras como uma forma de criar proximidade e demonstrar interesse pelo outro.
A psicologia mostra que a comunicação vai muito além da transmissão de informações. Ela também revela emoções, inseguranças, expectativas e necessidades afetivas. Em alguns casos, falar sem parar pode estar relacionado à ansiedade. A pessoa organiza os próprios pensamentos enquanto fala e, sem perceber, acaba transformando uma resposta simples em uma longa narrativa.
Também existem pessoas que acreditam, inconscientemente, que precisam justificar tudo o que fazem. É como se uma resposta curta pudesse parecer insuficiente ou até gerar uma impressão negativa. Então, elas antecipam explicações que ninguém pediu.
Isso não significa que falar muito seja um transtorno. A personalidade, o contexto, a cultura familiar e o jeito de cada um influenciam bastante a forma como nos comunicamos. Apenas em situações específicas, e sempre acompanhadas de outros sinais, o excesso de fala pode fazer parte de um quadro clínico que merece avaliação profissional.
Talvez a questão mais importante não seja a quantidade de palavras, mas o equilíbrio da conversa. Comunicação não é um monólogo. É uma dança entre falar e ouvir. Quando uma pessoa ocupa todo o espaço, a outra deixa de participar da construção daquele encontro.
Por isso, antes de pensar “essa pessoa fala demais”, vale fazer outra pergunta: o que ela está tentando comunicar além das palavras? Às vezes, existe ansiedade. Outras vezes, insegurança. Em alguns momentos, apenas entusiasmo. E, muitas vezes, um desejo sincero de ser compreendida.
No fim das contas, quem foi que disse que responder as horas precisa levar uma vida inteira? E quem foi que disse que, por trás de tantas palavras, não pode existir somente alguém tentando conectar-se com o mundo do jeito que aprendeu?
Assista ao episódio desta semana e ótimas reflexões pra você!
Lembrando que o Quem foi que disse? é uma realização do H2FOZ em parceria com o Instituto Polo Iguassu.

