Receita Federal do Brasil (RFB), Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) desencadearam, nesta semana, a Operação Perfume de Mulher. O objetivo foi desarticular organização criminosa investigada por descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais.
As investigações indicaram que o grupo introduzia perfumes, principalmente da linha árabe, de forma irregular no Brasil, pela fronteira de Ponta Porã (MS). As mercadorias eram levadas para depósitos clandestinos em Campo Grande e, posteriormente, para centros de distribuição em São Paulo e Pernambuco.
O homem apontado como responsável pela coordenação do grupo foi preso em Foz do Iguaçu durante operação.
Os produtos eram distribuídos para diferentes estados. As vendas ocorriam principalmente por redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, com participação de influenciadores na divulgação. Em um dos sites, o grupo se apresentava como “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, de acordo com a Receita. a
Mais de R$ 300 milhões
As investigações apontam que o grupo utilizava notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diferentes empresas para dar aparência de legalidade às operações.
Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por meio de empresas de fachada, uso de interpostas pessoas, ocultação de patrimônio e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados. As apurações apontam ainda para a utilização de criptoativos em negociações com fornecedores no exterior.
A análise financeira identificou movimentação superior a R$ 300 milhões em contas relacionadas aos investigados.
Desde 2024, mais de 20 apreensões foram relacionadas ao grupo. Em outubro de 2025, uma operação reteve aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.
Mandados e apreensões
Por determinação da 3.ª Vara Federal de Campo Grande, foram cumpridos 16 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. A Justiça também autorizou a apreensão de bens dos investigados até o limite de R$ 100 milhões, incluindo criptoativos. A operação reuniu 50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal e 50 integrantes do MPF e 30 do MPMS.
(Com informações da Receita Federal)

