Um casal foi preso na área rural de Céu Azul, município situado a 120 quilômetros de Foz do Iguaçu, sob suspeita do crime de redução de trabalhadores à condição análoga à escravidão. Eles mantinham três famílias com crianças — duas argentinas e uma paraguaia — sob condições degradantes de vida e trabalho.
A prisão ocorreu nesta quarta-feira, 13, Dia da Abolição da Escravatura, durante a Operação De Lunes a Lunes, deflagrada pela Polícia Federal (PF) com apoio de auditores fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego e do Ministério Público do Trabalho. O objetivo foi cumprir mandado de busca e apreensão.
As vítimas — 11 pessoas, sendo seis adultos e cinco crianças —, segundo a PF, viviam em ambiente com higiene precária, escassez de alimentos e eram submetidas a jornadas exaustivas, sem qualquer período de descanso semanal. Também estavam com a liberdade restrita e eram monitoradas por câmeras de vigilância.
Outra exploração identificada foi a imposição de servidão por dívida, caracterizada pela retenção integral dos salários para suposto pagamento de mantimentos vendidos com valores superfaturados.
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O delegado da PF Emerson Rodrigues afirma que as famílias trabalhavam em uma propriedade rural de Céu Azul que cultiva hortaliças e distribui a produção para várias cidades da região.
De acordo com ele, os estrangeiros vieram para o Brasil com a promessa de trabalho, porém recebiam apenas alimentação, moravam em um local precário e não tinham salário nem registro em carteira. Além disso, contraíam dívidas. Rodrigues relata que, antes da chegada da polícia ao local, uma das famílias chegou a fugir do local.
Denúncia partiu da rede de proteção
Após o resgate, os paraguaios decidiram permanecer no Brasil e uma das famílias argentinas retornou ao país com apoio do Comando Tripartite. A outra família argentina, formada por oito pessoas, também preferiu permanecer em Foz do Iguaçu e foi acolhida em um abrigo. As vítimas adultas tinham entre 30 e 40 anos, enquanto as crianças estavam na faixa etária de 6 a 8 anos.

De acordo com a PF, as investigações tiveram início após informações encaminhadas pela rede municipal de proteção, indicando que trabalhadores estrangeiros estariam sendo submetidos a condições degradantes de vida e trabalho.
As investigações prosseguem e, apesar de não haver indícios de tráfico humano, a hipótese não está descartada.
Diante da constatação das condições análogas à escravidão, os proprietários do local foram presos em flagrante e encaminhados à Delegacia da Polícia Federal em Foz do Iguaçu para os procedimentos de polícia judiciária.


