O Macuco Safari vive o segundo acidente fatal em 40 anos de operação. Na terça-feira (28), o turista holandês Mark Lensink, de 25 anos, morreu depois que o barco em que estava virou no Rio Iguaçu, perto das quedas das Cataratas. Ele viajava com a noiva e familiares dela.
O Macuco Safari é uma das atrações mais tradicionais do Parque Nacional do Iguaçu. O passeio leva os visitantes de barco até a base das quedas, num trajeto de cerca de duas horas com aproximadamente 30 minutos de navegação. O uso de colete salva-vidas é obrigatório durante todo o percurso.
Antes de terça-feira (28), a última morte no passeio tinha acontecido 26 anos atrás. Em setembro de 1999, dois botes infláveis colidiram de frente no cânion do Rio Iguaçu. Um deles tentou desviar das pedras e atingiu o outro, menor, que virou. Sete pessoas morreram: seis turistas estrangeiros e o piloto Cândido Siqueira, de 23 anos.
O caso mudou a operação. A atividade ficou interditada por 108 dias, e o parque reformulou, sobretudo, as regras de navegação. Vieram dali os limites de velocidade, a redefinição das rotas para evitar os pontos de correnteza mais forte e as exigências mais duras de equipamentos e treinamento dos condutores.
Depois de 1999, os registros mostram dois sustos, ambos sem mortes. Em dezembro de 2007, um barco com 17 turistas chineses virou, e quatro pessoas se feriram. Em julho de 2019, a embarcação tombou perto das quedas, e duas irmãs quase se afogaram. Ademais, a equipe resgatou todos, que usavam colete.
Nesse intervalo, em março de 2011, dois turistas americanos morreram em um passeio de barco nas Cataratas, quando a embarcação virou perto do Salto San Martín. Contudo, o acidente aconteceu do lado argentino, numa operação da empresa Iguazú Jungle.
O que sustenta a segurança do passeio
Em nota assinada pela direção e pela assessoria de comunicação, o Macuco Safari lamentou a morte e disse concentrar os esforços no apoio logístico, médico e psicológico à acompanhante da vítima e aos familiares dela. A empresa paralisou as atividades por três dias, de forma voluntária e em acordo com as autoridades, para revisar os protocolos de operação e navegação antes de retomar no sábado (1.º).
Por fim, a concessionária lista as normas que diz cumprir e os itens que sustentariam sua operação:
- navegação e fiscalização: segue as regras de navegação interior da Marinha, com vistorias periódicas e tripulação habilitada, e o alinhamento ao ICMBio na gestão do parque;
- certificações: mantém as normas internacionais ISO de qualidade, meio ambiente e segurança no turismo de aventura;
- frota com folga: o contrato de concessão prevê sete barcos por dia, mas o total disponível seria mais que o dobro, o que permitiria um rodízio de manutenção preventiva em estaleiro;
- embarcações: são bimotoras semirrígidas, com casco em fibra de vidro reforçada e câmaras de flutuabilidade independentes, e têm em média 31 lugares. A empresa informa investir em botes maiores e com mais estabilidade;
- operação: capacidade de até 35 saídas diárias, ajustadas à demanda e às condições do rio, com treinamento contínuo de pilotos, copilotos e brigadistas.

