Crise impacta comércio de Puerto Iguazú

Aumento nos preços das mercadorias e do aluguel prejudica o comércio local.

Apoie! Siga-nos no Google News

Os comerciantes de Puerto Iguazú já sentem os efeitos da crise argentina. Na Avenida Brasil, uma das principais da cidade, algumas lojas começam a fechar em razão do reajuste dos aluguéis.

O atual presidente do país, o ultraliberal Javier Milei, revogou a Lei do Aluguel, que estabelecia contratos de três anos, com atualizações semestrais, e proibia negociação em dólares. Agora, os contratos podem ser feitos também na moeda estadunidense, o que vem prejudicando o combalido comércio local. Com isso, muitos comerciantes estão encerrando contratos por não conseguirem manter o aluguel.

LEIA TAMBÉM
28/01/2024 – Peso, real ou dólar. O que usar na Argentina?

Há 20 anos com loja em Puerto Iguazú, Valéria Constantino, 45 anos, relata nunca ter visto uma crise como essa. Os aluguéis na Avenida Brasil subiram de 800 mil pesos para 1.500, e isso tem levado muita gente a deixar o comércio.

Ela, por exemplo, diz que vendia ao mês o equivalente a 400 mil pesos. Hoje, passou a vender 20 mil. Apesar das dificuldades, deposita esperança no governo que assumiu. “Temos que passar por isso para que nossos filhos não deixem o país”, acredita.



A comerciante Valéria Constantino tem esperança de dias melhores. Foto: Marcos Labanca/H2Foz

Valéria só não fecha a loja, com produtos dirigidos principalmente para os turistas argentinos, porque na negociação com o proprietário do imóvel conseguiu manter o atual valor do aluguel.

Nos supermercados, afirma, o arroz, que custava 1.700 pesos, foi inicialmente para 2.700 e agora está 3.200. Ela aguarda a promessa do governo de aumentar salários de professores e outros funcionários públicos para reativar a economia.

Outro comerciante local, Alberto Bernabbe, 74 anos, alega que a situação do país é reflexo de uma trajetória deixada pelo kirchnerismo. Apesar do reajuste das mercadorias, ele diz que agora há uma estabilidade nos preços.

Instabilidade

A professora Virgínia Laura Fernandez acredita que o momento econômico da Argentina é de bastante instabilidade em razão da incerteza a respeito do resultado do debate no Congresso da Lei Ônibus e do impacto do Decreto Nacional de Urgência (DNU), que reforça a inércia da oscilação.

Para ela, o foco na moeda e na questão cambial – que se centra na parte financeira e nos mecanismos especulativos alternativos encontrados no setor financeiro e bancário para não se perder poder de compra real do peso em relação ao dólar no país – configura-se como instrumento prejudicial à estabilização da moeda, assim como acelera a inflação e tira a relevância do setor produtivo nacional.

LEIA TAMBÉM