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O duelo do mundo contínuo

Professor Caverna convida Leonardo Pereira Montejo para refletir sobre como o tempo molda tudo

3 min de leitura
O duelo do mundo contínuo

Por Leonardo Pereira Montejo

As razões hão de ser todas verdes sem o tempo.

Estive pensando recentemente na quantidade de inventários que precisam de tempo para maturar para que assim deixem de ser verdes; é dizer; universalmente as coisas todas precisam de tempo para crescer, desde universos arquitetônicos mais objetivos a escolas de pensamento e outras noéticas.

As pirâmides não foram levantadas de uma manhã para a outra, estás – e aqui aspiro não só utilizar esses monumentos como representantes desta ilustre construção grandiloquente que muito bem ilustra o tempo, senão também como retratos deste sistema estrutural – precisaram de muito tempo, e assim igualmente foi com ás igrejas, com as universidades, com os arranha-céus e muitos outros edifícios pensados que sem os seus tempos acumulados não estariam de pé.

Por outro lado, os repertórios de natureza mais sútil – as culturas, como elementos porosos que se podem perpassar ou atravessar como vazios, que naturalmente se adotam para um ser mais próprio, mais sujeito, não foram feitos de modo distinto: o tempo é uma semente que arde.

O tempo é uma semente que não deixa de crescer, como um galho infinito que apenas conhece o idioma do mundo contínuo.

Assim sendo, o tempo é a tangente de todos esses elementos, é o que os une por suas diferenças e o que os separa por suas similitudes; de alguma maneira, consequentemente, sem tempo somos nada. Todo conhecimento nosso, fundamentado ou modernamente catalogado passou por um outro conhecimento anterior que não veio a se consolidar, e este por sua vez, naturalmente, passou por um outro ainda mais vetusto, e assim vai.

Todo conhecimento-repertório não é inútil por ter sido pensado, é graças a ter sido anteriormente pensado que se pode ir mais afundo agora.

Uma metáfora antiga muito bem elucida essa impressão, inventada por Bernard de Chartres, eternizada por Isaac Newton e oportunamente resgatada por Umberto Eco, sobretudo em seu livro denominado de “Nos Ombros dos Gigantes” (2018): “se vi mais longe foi por estar de pé sobre os ombros dos gigantes”.

Tendo em vista o exposto, é aqui que entra o dilema nosso: muitas vezes as pessoas são privadas de tempo ou dessa maneira se sentem; como se o coração se pendurasse no ponteiro do relógio de maneira a retardar ou interromper a espontânea passagem do tempo, se surpreendesse.

Através das dores megalómanas mais distintas, dos hematomas mais variados, as pessoas são levadas a se assustar com os mecanismos do mundo, indiferentes a toda essa instituição de dor, e como não se interrompem, inesperadamente elas se perguntam, como se o mundo precisasse de se convalescer com quem perdeu, com o que se perde, com o que se arrepende de ter sido.

Entretanto, o mundo alheio difere do mundo percebido por um, o mundo percebido por um não se é todo, o mundo por si só existe desde sempre e assim seguirá existindo; ás nuvens apáticas e urgentes vagam na paisagem de um mundo de maltrato e inconsequente dor, que irá terminar, porque felizmente, o mundo continua sendo contínuo.
Leonardo Pereira Montejo.

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    Professor Caverna

    Professor Caverna

    Caverna é professor de Filosofia, criador de conteúdo digital e coordenador do projeto “Café Filosófico” em Foz do Iguaçu.

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