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Risco na pista

Em Foz, Perimetral Leste vira alvo de críticas após acidentes e fechamento de acessos

Moradores reclamam da impossibilidade de acessar a via; trânsito fica mais arriscado com o início do fluxo de caminhões em direção à Argentina

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Em Foz, Perimetral Leste vira alvo de críticas após acidentes e fechamento de acessos
Rodovia tem 14,7 quilômetros. Foto: RF

Projetada para tirar o trânsito de caminhões do centro de Foz do Iguaçu e agilizar a passagem de cargas pela fronteira, a rodovia Perimetral Leste se tornou retrato do caos. Acidentes, acessos fechados e má sinalização colocam a via, aguardada por décadas pelos moradores da cidade, na berlinda.

Leitores entraram em contato com a reportagem do H2FOZ para relatar as dificuldades de acesso à rodovia. A principal reclamação são pontos de bloqueio que impedem motoristas das regiões Leste e Sul de entrarem na via de 14,7 quilômetros que liga a BR-277 à Ponte da Integração Brasil–Paraguai.

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Nas regiões Leste e Sul, moradores ficam ilhados e precisam fazer longos retornos para transitar na perimetral. Além das duas extremidades, o único acesso é pelo viaduto da República Argentina, no entanto em apenas um dá para fazer o retorno no sentido à Rodovia das Cataratas.   

Morador do Arroio Dourado, Marcirio de Oliveira Martins diz que os transtornos com a Perimetral Leste começaram quando a rodovia começou a ser construída, porque os moradores precisaram trafegar em desvios, entrar em bairros e enfrentar poeira para chegar a casa.

Leia também: Rodovia das Cataratas é liberada sem passarelas e expõe pedestres a risco

Agora, depois de pronta, a rodovia está sem acesso para bairros. Em razão disso, muitos motoristas entram na perimetral em locais proibidos e trafegam na contramão.

“Fizeram a perimetral e se esqueceram dos detalhes. Para construir foi um transtorno, e agora continua o transtorno. Agora construiu, e a gente não pode entrar”, frisa Martins.

Ele ainda critica a classe política, incluindo deputados e vereadores, a qual não toma providências para melhorar a situação.

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Motoristas barrados

Um dos acessos usados pelos motoristas é pelo viaduto da Avenida República Argentina. Contudo, em vez de irem em direção à BR-277, como seria de praxe, os motoristas trafegam no sentido contrário, fazendo conversões perigosas.

Entre janeiro e abril, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) registrou 24 acidentes na Perimetral Leste, com o total de 47 veículos e 63 pessoas envolvidos. As ocorrências resultaram em 37 feridos e uma morte, de um adolescente de 15 anos que ia de bicicleta para a Associação Fraternidade Aliança (AFA). Ele foi atingido por uma viatura da Receita Federal – RF.

acidente perimetral
Adolescente foi atropelado por um veículo da RF. Foto: PRF

A maior parte das infrações corresponde a colisões laterais, seguidas por colisões frontais. Entre as causas estão transitar na contramão, fazer conversão proibida e acessar irregularmente a rodovia.

Na entrada da cidade, as marginais da BR-277 tiveram mudança no fluxo. A marginal oeste, entre as ruas Tereza Marcon de Nadai e Teodoro Risden, passou a ter sentido único em direção ao Paraguai. Já a marginal leste, entre a Rua Mercúrio e a trincheira no km 721, tem fluxo em sentido único em direção a Cascavel.

A mudança entrou em vigor para organizar melhor o fluxo do trânsito após solicitação do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Mais caminhões na via

O trânsito já perigoso na Perimetral Leste deve ficar ainda pior com o início do fluxo de caminhões que seguirão no sentido Brasil–Argentina. Na quarta-feira, 6, a rodovia começou a receber os primeiros veículos de carga. Foram 39 despachados. A liberação será feita diariamente das 6h às 18h30.

Por enquanto, segundo a Receita Federal (RF), o fluxo de caminhões ocorrerá apenas para exportações. Os veículos são liberados no Porto Seco e seguem pela Perimetral Leste até a aduana argentina.

Inaugurada em dezembro de 2025, a rodovia tem sido usada por carros pequenos e caminhões em lastre que entram e saem do Paraguai. O tráfego ainda não é o previsto, porque a Ponte da Integração não está operando plenamente, somente para caminhões vazios.

Construída com recursos do governo federal e do estado, a Perimetral Leste tem seis interseções em desnível nos entroncamentos com a Avenida General Meira, no acesso para a Ponte Tancredo Neves, na Rodovia das Cataratas (BR-469), na Avenida Felipe Wandscheer, na Avenida República Argentina e na BR-277.

Também foram construídas duas aduanas para atender às demandas nas fronteiras com a Argentina e o Paraguai. A aduana Brasil–Argentina está com as obras atrasadas, por isso não foi liberada para uso.

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    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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