O impacto das grandes obras em Foz do Iguaçu na mobilidade urbana e no acesso da população aos bairros da cidade foi a preocupação levada pela comunidade à Câmara de Vereadores. A reunião com o Legislativo foi realizada na sexta-feira, 19.
O tema foi abordado por representantes do Coletivo Ambiental de Foz do Iguaçu (CAFI) e do Grupo de Pesquisa Territórios Interioranos, Paisagens e Povos na América Latina (Tippa), da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila).
As preocupações estão ligadas aos impactos das grandes obras viárias executadas ou projetadas para Foz do Iguaçu, incluindo a BR-277, a Perimetral Leste, a BR-469 (Rodovia das Cataratas) e o futuro viaduto do CTG Charrua. O principal enfoque são os efeitos das intervenções sobre a circulação de moradores entre bairros e o acesso a serviços públicos.
Mudanças viárias e o fechamento de acessos têm alterado a rotina de comunidades localizadas próximas aos principais corredores rodoviários, apontam ambientalistas e pesquisadores. Por isso, defendem a necessidade de adequar os grandes projetos de infraestrutura à realidade urbana da cidade.
“Estamos falando da Avenida das Cataratas, da BR-469, da Perimetral e, agora, do projeto apresentado nesta última semana para o trevo do viaduto do Charrua”, explicou o representante do Coletivo Ambiental, Giovanni Dameto.

Mobilidade urbana
A vereadora Yasmin Hachem (PT) manifestou apoio às reivindicações apresentadas. Ela afirmou que, desde o início do ano, seu mandato acompanha a situação de comunidades que vêm sofrendo com as intervenções urbanas, como Jardim Madalena, Atlantis e Três Lagoas.
A parlamentar citou dificuldades enfrentadas por moradores. “Com o fechamento de acessos na BR-277, moradores de bairros localizados abaixo da rodovia perderam a ligação terrestre com a região de Três Lagoas, onde estão concentrados serviços essenciais, como posto de saúde e escola. Na prática, a própria população foi impedida de acessar esses equipamentos públicos”, declarou.
10 perguntas ao poder público
Recentemente, o Coletivo Ambiental e o Tippa divulgaram uma análise dos impactos das grandes obras sobre a cidade, elencando dez perguntas aos órgãos dos governos estadual e federal (leia aqui). O documento questiona quem será responsabilizado por eventuais falhas de planejamento e pede esclarecimentos sobre mobilidade urbana, acessibilidade, transporte coletivo, travessias seguras para pedestres e animais, além da integração das novas vias ao tecido urbano.
Os coletivos também levantam dúvidas sobre as medidas de compensação ambiental decorrentes do desmatamento provocado pelas obras, incluindo áreas de reflorestamento, responsabilidades de cada órgão e fontes de financiamento. Os signatários defendem a elaboração de um projeto de readequação das vias, com foco em segurança, acessibilidade e recomposição ambiental, e questionam quem ficará responsável pela gestão e execução dessas intervenções.


