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Perimetral Leste e Rodovia das Cataratas viram alvo de críticas em audiência pública

Comunidades relatam isolamento, riscos e dificuldades de mobilidade no entorno das duas rodovias

6 min de leitura
Perimetral Leste e Rodovia das Cataratas viram alvo de críticas em audiência pública
Debate reuniu moradores, engenheiros, urbanistas. Foto: Denise Paro

Lacunas no planejamento e construção da Perimetral Leste e na duplicação da Rodovia das Cataratas (BR-469) foram debatidas em audiência pública realizada na noite dessa terça-feira, 26, na Câmara de Vereadores de Foz do Iguaçu. O debate contou com a presença de moradores, lideranças de bairros, engenheiros e urbanistas.

Falhas graves em ambos os projetos foram apontadas, principalmente pelo fato de o planejamento ter priorizado veículos em vez das pessoas e desconsiderar o ambiente urbano. Na Rodovia das Cataratas, pedestres são obrigados a pular muretas para cruzar a via, e na Perimetral Leste a falta de acesso faz com que os motoristas precisem transitar por longas distâncias.  

Presidente da Associação de Moradores do Novo Horizonte, Cleuza Bazé disse que a Rodovia das Cataratas vem trazendo insegurança, isolamento e risco para os moradores da Vila Carimã, Novo Horizonte, Anita Garibaldi, Mata Verde, Arroio Dourado e Buenos Aires. 

“As pessoas são obrigadas a correr entre veículos e pular as muretas. Foi uma obra planejada sem garantir o básico: segurança e dignidade.”

Presidente da Associação de Moradores do Bairro Buenos Aires, Rafael Cabanha reconheceu que imóveis da região estão sendo valorizados, contudo a população local sofre diariamente e há idosos que precisam fazer longas caminhadas. “Hoje, levamos o dobro do tempo para sair do bairro.”

Leia também: https://www.h2foz.com.br/cidade/bloqueios-na-perimetral-leste-e-riscos-na-br-469-serao-debatidos-em-audiencia-publica/

Rodovia das Cataratas
Trabalhadores arriscam-se na travessia. Foto: Marcos Labanca

Moradora do Jardim Alvorada, Alessandra Soares disse não há acessos para chegar aos postos de saúde na região do Três Lagoas. “Eu, como mãe, levo meus filhos ao Morumbi porque não me sinto segura em passar pela BR-277. Não tem iluminação, faltam placas, a velocidade é grande”. 

Vias de alta velocidade em perímetro urbano

Professora de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), conselheira do Concidades-Foz e moradora da Mata Verde, Patrícia Zandonadi questionou os projetos de vias de alta velocidade em perímetro urbano.

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“Ainda em 2026, a gente está pensando em vias na cidade para carro com cabeça rodoviarista. Um projeto deste, tanto da avenida das Cataratas quanto da perimetral, teria que ser refeito na minha disciplina”, mencionou.

Para ela, tanto a Perimetral Leste quanto a Rodovia das Cataratas foram projetadas dentro de perímetro urbano. Por isso, não podem ter o mesmo desempenho de uma rodovia fora do perímetro.

Rodovia das Cataratas: confira mediação recente do avanço da obra em Foz do Iguaçu
Rodovia sem passarelas – foto: DER-PR/divulgação

Ela também apontou que o projeto foi feito sem via exclusiva de transporte público e sem pensar em pontos de ônibus decentes. Para Patrícia, é preciso readequar as rodovias para o funcionamento urbano. 

Sobre a solução de passarelas, a professora ainda observou que essa alternativa já vem sendo estudada no meio urbanístico, porém estudos mostram que não funcionam porque o objetivo é a circulação de veículos. Ela perguntou: “Como reconectar a cidade, que foi fragmentada por esses grandes eixos de deslocamentos de mercadorias?” Também pontuou que banhados na região da Rodovia das Cataratas estão sendo drenados e futuramente haverá inundações.

Morador do Três Lagoas, Luiz Carlos Wandscheer questionou a falta de participação popular nos projetos. “Em 2026, a gente está tendo problemas como esses por falta de conversar. Nada da coisa pública tem razão de ser se não ouvir a raiz, que são os moradores das localidades.”

Presidente do Conselho Municipal de Turismo (Comtur), Diogo Marcel disse que houve discussões sobre projetos via Comtur e Conselho do Desenvolvimento Econômico de Foz do Iguaçu (Codefoz), assim como pareceres do ICMBio, principalmente em relação à BR-469, condenando o projeto. Porém, as sugestões não foram ouvidas. 

Caminhões pelos bairros e riscos para os moradores

Moradores da região do Três Lagoas relataram diversos transtornos em razão do aumento de circulação de caminhões em algumas áreas do bairro e o risco de atropelamentos. Também indicaram a necessidade de fazer contornos longos para acessar certos locais.

Morador do Alvorada, Luiz Fernando Bazanela pediu para que a rua Leopoldo Calegario ou a rua Urano, com acesso à Perimetral Leste, sejam reabertas, para desafogar o fluxo de caminhões. 

Outra reclamação foi o estabelecimento do fluxo de mão única nas vias marginais na entrada da cidade na região da Perimetral Leste.

Chefe local do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), Marcos Soares da Costa informou que se optou pelo estabelecimento da mão única por questões de segurança.

acidente perimetral
Adolescente foi atropelado por um veículo da RF. Foto: PRF

Em relação aos bloqueios estabelecidos ao longo da Perimetral Leste, ele também justificou a medida por questão de segurança. Um dos locais fechados, citou, tem acesso da rodovia para a marginal e da marginal para a rodovia. Pelo fato de esses acessos estarem de frente para outro, motoristas estavam cruzando de um lado para outro. Em outros pontos, havia trânsito na contramão.

Nos pontos mais próximos à República Argentina, a empresa se dispôs a implantar uma solução e comentou que a questão está sendo tratada com urgência. Também foram lembrados mortes já registradas na Perimetral, a exemplo de um adolescente atropelado.

Projeto sem passarelas

Engenheiro do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), Charles Urbano admitiu a necessidade de fazer passarelas na rodovia.

“Quando a gente olha o projeto rodoviário, a gente olha com olhar rodoviário, não olhar urbano. A gente quer resolver a solução da rodovia. Se a gente for olhar tudo, não consegue fazer tudo.” Por isso, completou, é necessário ajuda da população, do município e das secretarias de Planejamento e Obras.

Em relação às passarelas da Rodovia das Cataratas, ele reconheceu que não estavam previstas no projeto original.

Segundo Costa, o DNIT local tem brigado pela priorização da demanda. Os projetos, realçou, estão em fase final da adaptação para pista dupla. Ele prevê que, até o final de junho, devam estar finalizados.

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    Denise Paro

    Denise Paro

    Denise Paro é jornalista pela UEL e doutoranda em Ciências Políticas e Relações Internacionais. Atua há mais de duas décadas nas Três Fronteiras e tem experiência em reportagens especias. E-mail: deniseparo@h2foz.com.br

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