Cupins subterrâneos: infestação silenciosa ataca árvores e imóveis

Entre as galhadas das árvores, uma colônia de cupim . Foto: Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima – OPINIÃO

Na natureza, todos os elementos encontram-se em harmonia, mas diante das interferências humanas, é muito comum nos deparamos com pragas, infestações, superpopulações. Com o cupim, não é diferente. Esse inseto tem uma importante função, porque ajuda na decomposição das matérias orgânicas e mesmo na descompactação do solo.

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Os cupins são classificados ‘de acordo com a localização do ninho, são divididos em cupim de madeira seca, subterrâneo, de montículo e arbícola’, explica Simone de Souza Prado, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente

Mas, por falar em cupim subterrâneo, é dele que vamos tratar, pois é o motivo da dor de cabeça para muita gente que se depara com esse visitante indesejável!

Fazia um tempo que observava a parede de um dos banheiros e notei um túnel nos azulejos. Imaginei que poderia ser algum inseto, desses que constroem suas casas em lugares inusitados. Lavei e senti um cheiro diferente, parecia terra. Passado mais um tempo, notei que a mesma ‘casinha’, estava em outro cômodo, entre a parede e a laje e também, em direção à porta. Foi então que percebi quem era o visitante indesejado: cupim subterrâneo.

Detalhe da colônia de cupim em árvore, muitas vezes confundida com caixa de marimbondos. Foto: Aida Franco de Lima

Eu só conhecia os cupins de móveis, poderia dizer que são os mais Nutellas, mais previsíveis, que adoram um móvel antigo. E com eles não tinha muito segredo, era só pegar o objeto, encher de Gimo Cupim, ensacar em um plástico escuro e deixar por sete dias. Essa fórmula sempre deu certo. Mas agora, estava diante do cupim raiz mega power!

O cupim subterrâneio ganha o status de praga quando toma conta das residências, normalmente transitando pelas árvores, tubulações de esgoto, cabos de energia, rede de água. Enfim, onde houver um espaço a ser ocupado, um objeto a ser devorado, eles se farão presentes.

Cupins em parede de obra inacabada. Vídeo: Aida Franco de Lima

No nosso quintal eles já comeram um canil inteiro, mataram metade de um pé de limão, devoraram uma porta de banheiro e fazem a festa pela região. O vizinho até mandou dedetizar o prédio ao lado e pagou a dedetização em nossa casa. Não resolveu nadica de nada e de troco tive uma intoxicação que me rendeu vômito e crise de enxaqueca. E eles continuam, firmes e fortes. Jogamos inseticida, cupinicida, produto ecológico, produto tóxico e eles parecem mesmo brincar de gato e rato. E nós, estamos em um mato sem cachorro. Outro vizinho me relatou que os cupins comeram uma porta e invadiram a tubulação da rede elétrica.

Cascas de árvore abrigam cupins. Vídeo: Aida Franco de Lima
Colônia de cupins em parte externa de tronco de árvore. Vídeo: Aida Franco de Lima

Seu inimigos naturais são o tamanduá e as formigas. Mas os tamanduás estão pedindo socorro, enquanto que as formigas, talvez tenhamos combatido tanto, que agora as suas presas fazem a festa!

Prestem atenção nas suas residências, observem se há indícios dos mesmos. Se sim, bem-vindos (a) ao time. Se não, que sorte! Mas não se acomodem, vocês podem ser as próximas vítimas. Reparem nas árvores das ruas. Prestem atenção. Elas podem ser um das vítimas silenciosas. Reparem que a árvore aparentemente saudável, do nada cai. E seu caule aparece oco. São os cupins!

Cupins em área externa de prédio comercial. Vídeo: Aida Franco de Lima

O que sua Cidade está fazendo para resolver esse problema? Sim, esse é um problema que envolve a comunidade, afinal, não adianta eu cuidar de minha casa, se a árvore de frente da casa, que é de responsabilidade do Município ou a casa do vizinho, estiverem infectadas. Mas e o que vamos fazer? Sair lançando veneno e pedindo o corte de árvores? Culpar mais uma vez as árvores pelos problemas das cidades? É essencial que tenhamos consciência do problema e possamos buscar soluções. E definitivamente eliminar árvores de nada resolve, só piora o problema. Temos que pensar em medidas a curto, médio e longo prazo. Temos que trabalhar organizadamente em busca de alternativas, como os cupins, dia e noite!

Cupins alojam-se nas árvores e, sem tratamento preventivo, invadem as residências. Fonte: Ribeira

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Aida Franco de Lima

Aida Franco de Lima é jornalista, professora e escritora. Dra. em Comunicação e Semiótica, especialista em Meio Ambiente. E-mail: [email protected] Veja mais conteúdo da autora.