O que faltou? Isolamento social em Foz fica entre 32% e 52% no período de restrição

A prefeitura afirmou que aplicou 11 multas, desde sábado, as quais somaram R$ 43 mil; foram sete penalidades a pessoas físicas e quatro para empresas. 

Os decretos restritivos municipal e estadual, que entraram em vigor no último sábado, 27, não foram suficientes para elevar o isolamento social em Foz do Iguaçu. Os índices retratados no boletim epidemiológico são similares aos do período anterior às normativas, conforme mostra o infográfico do H2FOZ.

As normas estabeleceram toque de recolher a partir das 20h e determinaram o fechamento do comércio e dos serviços considerados não essenciais. Nessa quarta-feira, 3, novo decreto da prefeitura restringiu a 30% o público em mercados e supermercados iguaçuenses.

No sábado, quando as restrições mais severas passaram a valer, o índice de isolamento social foi de 32%. No dia seguinte, domingo, 28, subiu para 52,7%, reproduzindo uma tendência observada no período anterior aos decretos, de maior recolhimento das pessoas aos domingos (veja o gráfico).


No terceiro dia em que vigoraram as medidas restritivas para se tentar evitar o colapso na saúde, segunda-feira, 1º, a taxa de isolamento social caiu para 35,9%. Na terça-feira, 2, esse índice foi a 36,8%, cresceu para 38,2% na quarta-feira, 3, e subiu levemente para 39,7% na quinta-feira, 4.

A Prefeitura de Foz do Iguaçu esperava atingir 60% de isolamento social. Organismos internacionais afirmam que o ideal é 70%. À reportagem, a assessoria de comunicação da prefeitura afirmou que, mesmo com as medidas restritivas dos decretos estadual e municipal em vigor, não foi alcançado o índice pretendido.

“Mesmo com o funcionamento apenas das atividades essenciais, as pessoas continuaram circulando nas ruas, indo a supermercados, bancos e outros estabelecimentos”, informou. “Muitas pessoas desrespeitam os decretos e utilizam quadras esportivas e academias ao ar livre”, completou.

Supermercados e bancos não foram incluídos nas restrições dos decretos em vigor desde sábado. Do meio da semana para cá, a prefeitura decidiu restringir o número de clientes dentro de mercados e supermercados a 30% da capacidade.

O poder público não erra ao afirmar que as pessoas continuaram a se descolar, mesmo com as restrições. Muitas delas, inclusive, por meio de um transporte coletivo que segue inadequado para o enfrentamento à pandemia, com registro de lotação acima do permitido e pessoas em pontos de ônibus e no terminal por longos períodos.

Fiscalização 

A gestão municipal relatou à reportagem que irá aumentar a fiscalização. A medida é para “que essa minoria passe a respeitar disposições que vêm em defesa da população”. Desde o último sábado, a prefeitura diz ter registrado 318 denúncias para a Defesa Civil e 39 pelo aplicativo 156 relacionadas às regras restritivas. Esse número foi apurado às 16h dessa sexta-feira.

Do dia 27 de fevereiro a 4 de março, foram aplicadas 11 multas, que totalizaram R$ 43 mil, de acordo com a assessoria da administração. Foram sete sanções a pessoas físicas, que somaram R$ 6.412, e outras quatro para empresas, que juntas contabilizaram R$ 36.644.

O efetivo diário nas ruas é de 24 fiscais, os quais fazem autuações com mais quatro servidores da Vigilância Sanitária, relatou a assessoria da gestão municipal. Três funcionários públicos da prefeitura dão suporte às ações. O município não informou se pretende recorrer a servidores de outras áreas para auxiliar na fiscalização.

Informação e conscientização 

O H2FOZ questionou quais ações ou campanha de conscientização foram realizadas pela prefeitura, desde sábado, para reforçar a necessidade de cuidados sanitários e o respeito aos decretos. Segundo a assessoria, foram feitas orientações nas vias públicas.

“A Guarda Municipal, Defesa Civil e Vigilância Sanitária fizeram ações orientativas nas vias públicas sobre o uso obrigatório das máscaras e distanciamento social”, reportou a prefeitura. “A partir desta sexta-feira, as pessoas que desrespeitarem os protocolos sanitários não serão mais orientadas, e sim multadas”, completou.

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Paulo Bogler - H2FOZ

Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. e-mail: [email protected] Veja mais mais conteúdo do autor.

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