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Editorial

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A ‘cultura’ do atraso na entrega de obras em Foz do Iguaçu

Não raramente, a incompletude ou a inadequação dos projetos se soma ao problema dos prazos extrapolados.

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A ‘cultura’ do atraso na entrega de obras em Foz do Iguaçu
Foz do Iguaçu tem histórico de obras com atrasos, problemas ou ambos. Arte: Claudio Siqueira, com o uso de ferramentas de I.A.

Dos empreendimentos simples às chamadas obras estruturantes, o atraso na entrega se tornou ponto comum entre os investimentos públicos em infraestrutura de Foz do Iguaçu. E, não raramente, a incompletude ou a inadequação dos projetos se soma ao problema dos prazos extrapolados.

A revitalização do Parque Remador, no Porto Meira, começou em dezembro de 2024, com previsão de durar seis meses. Ainda não terminou, embora já seja maio de 2026. Falta à prefeitura pavimentar o estacionamento de acesso ao espaço ambiental. O atraso, segundo a gestão municipal, decorre da necessidade de intervençõesa que foram feitas na galeria pluvial.

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Com previsão de término em maio de 2025, as obras da Avenida Juscelino Kubitschek continuam em execução. Um ano além do prazo de entrega, a administração acaba de prorrogar o contrato com a construtora por mais três meses. O motivo alegado para a demora foi o rompimento de uma rede subterrânea de energia elétrica, considerado fator externo ao projeto.

Obras maiores, o sarrafo sobe e os transtornos para a população aumentam. A Ponte da Integração Brasil–Paraguai é o que mais se aproxima do que se poderia considerar dentro do prazo. Os serviços começaram em 2019 e deveriam durar três anos, com recursos da Itaipu Binacional e execução do Governo do Estado.

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O Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER/PR), responsável pela obra, atestou 96,6% de conclusão em 2022, com 100% da estrutura finalizada. A própria autarquia declarou o empreendimento concluído um ano depois, em agosto de 2023. Contudo, a ponte segue subutilizada ainda hoje.

A Perimetral Leste, estratégica para o comércio internacional e para desafogar os corredores turísticos, foi entregue pela gestão paranaense em dezembro passado. Porém, com incompletudes. Os órgãos responsáveis pela segurança viária consideraram a sinalização inadequada e determinaram o fechamento de retornos. Os caminhões de carga só agora passam a utilizá-la parcialmente, ainda em fase de testes.

A rodovia de 15 quilômetros, extensão da BR-277, começou a ser construída em março de 2021 e deveria ter sido entregue no fim de 2022. As obras pararam. A Justiça Federal mediou uma conciliação para a retomada. No início do projeto, o DER/PR estimou o custo em R$ 136,8 milhões. O valor foi reajustado para contemplar adequações técnicas e desapropriações. Segundo a Itaipu, que não tem incubências na realização do serviço, em informação divulgada em outubro do ano passado, foram destinados R$ 338,5 milhões para a Perimetral Leste.

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A duplicação da Rodovia das Cataratas, rota para o Parque Nacional do Iguaçu, aeroporto, hotéis e atrativos turísticos, é outro caso emblemático. Em abril, o governo estadual entregou 80% da obra, que deveria estar integralmente concluída. Nos dias seguintes, o trânsito voltou a ser interrompido para explosões de rochas e continuidade dos trabalhos.a O infortúnio a moradores e turistas continuou.

A via turística foi planejada para veículos, não para pedestres e ciclistas, mostrou o H2FOZ. Sem passarelas, trabalhadores dos empreendimentos instalados ao longo da rodovia, assim como visitantes, precisam pular muretas de concreto para atravessar de um lado ao outro. Insegurança e risco à vida. A soma de atrasos e inadequações impõe custos e transtornos a Foz do Iguaçu. Mas, ao que parece, virou cultura. Sequer constrange os agentes públicos envolvidos.

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    Guilherme Wojciechowski

    Guilherme Wojciechowski é colaborador do H2FOZ desde 2021. Acompanha o noticiário da fronteira há duas décadas e cobre editorias como Paraguai, Argentina, Turismo, Esporte, Cultura e Segurança Pública.

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