Em cargos de comando na educação, no Núcleo Regional e na Secretaria Municipal, a professora Silvana Garcia teve duas oportunidades para desenvolver gestões em conjunto e em diálogo com sua classe profissional. Em ambos, fechou as portas para o magistério e suas demandas, mantendo-as abertas para os círculos de poder. Foram suas escolhas.
No órgão estadual, primeiro, atuou como correia de transmissão de um projeto que desfigurou o sistema público de educação do Paraná. Esse modelo introduzido se baseia em avaliações questionadas pelos docentes, na plataformização digital e na transferência de responsabilidades históricas da escola para polícias e empresas.
À frente da gestão da educação iguaçuense, em poucos meses, tornou-se persona non grata entre mestres, mães e pais de alunos, confrontada com um abaixo-assinado com duas mil adesões pela sua demissão, ainda antes de chegar ao primeiro ano na função. Reproduzindo o tom impositivo do cargo anterior, permaneceu encapsulada, distante da base de professores.
Contraditoriamente, manteve o ambiente da Secretaria Municipal de Educação (Smed) aberto para agentes políticos alinhados ao governo. Foram de agendas do vice-prefeito, Ricardo Nascimento (PSD), pré-candidato declarado, a vereadores maus leitores que a instruíram a recolher livros de inglês, resultando em uma comissão parlamentar de inquérito (CPI), que está em andamento.
Em uma rara lotação da Câmara de Vereadores, professoras e professores cobraram de Silvana Garcia bem mais que ausência de diálogo. No rol de reivindicações, a qualidade da alimentação nas escolas e centros municipais de educação infantil (CMEIs), violência e insegurança, falta de profissionais, ausência de vagas e condições estruturais das instituições. A lista segue.
A inaptidão da agora ex-secretária municipal de Educação representa a derrota de um modelo e de um estilo de conduzir a função pública. Mas não deixa de ser também a reprovação de quem a nomeou. Ainda mais que o prefeito Joaquim Silva e Luna (PL) chancelou Silvana Garcia no cargo prometendo à população a “excelência” na educação.
A interrogação que fica é se o que afunda neste momento é a agente pública Silvana Garcia e seu mandonismo. Porque, se permanecer o projeto que vinha sendo estruturado, significa a continuidade de um modelo que mantém dívida com a docência, como o piso salarial, a primazia de generalidades em detrimento de conteúdos como português e matemática, além de déficits persistentes: de vagas, professores e melhorias na estrutura dos estabelecimentos de ensino.

