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Maio Laranja

Protegendo crianças e adolescentes

Violência sexual infantojuvenil não é um problema distante nem restrito às estatísticas. Leia a opinião do H2FOZ.

3 min de leitura
Protegendo crianças e adolescentes
Maio Laranja marca mobilização pela proteção da infância - arte: Claudio Siqueira, com uso de I.A.


Homem de 34 anos preso, acusado de estupro de vulnerável e importunação sexual contra três enteadas — uma delas relatou ser vítima desde os 8 anos. Outro detido, de 43 anos, investigado pelos mesmos crimes, além de favorecimento à prostituição de adolescentes. Em um terceiro caso, o suspeito é o próprio pai, e as vítimas, as filhas e cunhadas.

São apenas três registros recentes para evidenciar que a violência sexual infantojuvenil não é um problema distante nem restrito às estatísticas. Os casos ocorreram em Foz do Iguaçua, na comunidade, e foram atendidos pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), delegacia especializada da Polícia Civil que presta um dos serviços públicos mais sensíveis e relevantes.

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Em nível nacional, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania informou que o Disque 100 registrou mais de 32,7 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes entre janeiro e abril de 2026 — aumento de 49% em relação ao ano passado. No período, foram contabilizadas 116,8 mil denúncias e 716,4 mil violações de direitos humanos.

Segundo o ministério, nove mil denúncias e 17 mil violações envolvem violência sexual física, incluindo abuso, estupro e exploração sexual, além de violência psíquica. O ambiente doméstico aparece como o principal cenário das ocorrências, com mais de 25 mil violações registradas em residências da vítima, do suspeito ou de familiares.

A denúncia continua sendo uma das principais ferramentas de enfrentamento, ainda que o agressor seja alguém próximo da convivência familiar, da vizinhança, da escola ou da internet. Casos de violência contra crianças e adolescentes podem ser informados pelos canais Disque 100 e Disque 181.

Em Foz do Iguaçu, os relatos recebidos chegam anonimamente ao Nucria, onde passam por registro, análise e eventual instauração de inquérito policial, com comunicação ao Ministério Público e possíveis medidas judiciais. Os canais também recebem retorno sobre os encaminhamentos realizados.

As violências não se restringem aos espaços físicos. Um dos alertas feitos pelo Nucria é para o chamado grooming, aliciamento ou manipulação em que adultos utilizam jogos, chats ou mensagens diretas (DMs) para conquistar a confiança de crianças e adolescentes, solicitar conteúdos íntimos ou marcar encontros escondidos. Trata-se de crime, frequentemente favorecido pela falsa sensação de segurança no ambiente digital.

O 18 de Maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, é um chamado à sociedade para vigilância, prevenção e proteção. A data simbólica, instituída por lei há 26 anos, representa uma mobilização que aponta para a necessidade de ação contínua.

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Políticas públicas garantidoras de direitos, por parte dos governos em todas as esferas, a prática de romper o silêncio e denunciar, pela comunidade, além de escuta e cuidado no ambiente familiar, escolar e nos demais espaços de convívio seguem como formas efetivas de proteção à infância. São demandas 365 dias por ano.

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    Paulo Bogler

    Paulo Bogler é repórter do H2FOZ. Com enfoque em pautas comunitárias, atua na cobertura de temas relacionados à cidade, política, cidadania, desenvolvimento e cultura local. Tem interesse em promover histórias, vozes e o cotidiano da população. E-mail: bogler@h2foz.com.br.

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