Alardeada como a redenção da saúde pública em Foz do Iguaçu, a federalização do Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL) emperrou na seção de promessas não consumadas pela gestão anterior, de Chico Brasileiro. Na administração de Silva e Luna, sequer ganhou vitalidade.
O prefeito atual não constituiu interlocução enfática com as instâncias federais, seara política decisória da pauta, por ter optado por atuar nas cercanias do estado, que lhe dão segurança para dialogar com parecidos ou da qual obtém promessas de cheques para projetos no atacado. Ou ambas as situações.
Alheio às irresoluções palacianas está o usuário do serviço, o cidadão, que se depara periodicamente com alertas de superlotação de leitos e outros problemas. A fila da dor que persiste em Foz do Iguaçu registrou nesta semana ocupação perto de 120% da enfermaria e da unidade de terapia intensiva (UTI) do Hospital Municipal.
O Núcleo Interno de Regulação da unidade documentou, em ofício a agentes públicos do setor, o cenário descrito como “crítico”, requerendo o direcionamento de pacientes para outros estabelecimentos. E indicou haver pessoas adoentadas em “áreas de circulação”, ou seja, nos corredores do hospital.
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O Conselho Municipal de Saúde (Comus) fez as contas e sustenta que o equipamento de saúde iguaçuense dispõe do maior orçamento desde a pandemia de covid-19. Por isso também cobra um plano de governança do hospital contra o risco de o atendimento colapsar, além de ações para manter cada uma das especialidades.
A instância de controle social da saúde direciona o indicador ao que considera ser o cerne do problema: respostas pontuais em vez de um plano concreto, com início, meio e fim. As “crises reiteradas apontam para a insustentabilidade do modelo reativo de gestão vigente”, manifestou-se o Comus.
Por outro lado, representantes em nível estadual, com título de eleitor na cidade ou que beliscam votos na fronteira, permanecem inertes. Uma frente a ser aberta junto à Secretaria de Saúde do Paraná seria a consolidação de retaguarda para pacientes prioritários de “vaga zero” e determinações regulatórias.
Apenas no Hospital Municipal, esses procedimentos subiram 146%, passando de 487 no primeiro trimestre de 2025 para 1.199 neste ano. É demanda que ajuda a elevar a ocupação já saturada da casa de saúde. Mas esse debate ainda não tocou deputados e chefes políticos.
O esgotamento de leitos não é a primeira nem a única dificuldade do hospital, que inclui recentes falhas na ortopedia, neurocirurgia e até mesmo na prestação de serviços de anestesiologia. A história da extinção da antiga Santa Casa ensina que alertas repetidos jamais devem ser minimizados; pelo contrário, são chamados que impelem à ação antes de o infortúnio ser irreversível.


