Anfitrião da 68.ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, Santiago Peña, presidente do Paraguai, pugnou pelo diálogo e unidade para o desenvolvimento dos países vizinhos. “A integração não é só uma palavra”, escreveu, ao receber os mandatários do Brasil, Bolívia, Uruguai, Chile e Equador, além do representante diplomático da Argentina.
Luiz Inácio Lula da Silva argumentou que o consórcio de nações deve agir para gerar impacto na vida das pessoas e que a integração regional é decisiva. “Na atual conjuntura, o Mercosul é uma necessidade estratégica”, afirmou Lula, que, em diferentes fóruns, tem criticado o intervencionismo e o unilateralismo dos Estados Unidos, de Donald Trump.
A segunda via internacional Brasil–Paraguai, concluída há três anos, mas ainda subutilizada, pode ser tomada como imagem imediata do hiato entre a retórica da cooperação e o exercício efetivo das relações bilaterais. Enquanto vigoram protocolos restritivos para a Ponte da Integração, alongam-se as filas da logística, do turismo e do trânsito fronteiriço.
Peña, com perspicaz recurso comunicativo, comparou a dificuldade de liberar a Ponte da Integração à abertura do Estreito de Ormuz, passagem marítima represada em um cenário belicoso, sugerindo transferir o problema ao vizinho. Todavia, omitiu que uma das principais pendências está em território paraguaio, onde as obras sobre o Rio Monday, que darão acesso à passagem, estão atrasadas e deverão ser concluídas apenas em 2027.
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A nova ponte é emblemática por ter sido anunciada como solução para melhorar o fluxo de pessoas e veículos na região trinacional. Além disso, trata-se de um investimento vinculado ao desenvolvimento da logística, em articulação produtiva entre Brasil e Paraguai, a ser potencializado pela Rota Bioceânica, corredor rumo ao Pacífico que inclui Argentina e Chile, projetado para agilizar e reduzir os custos do comércio internacional.
Embora representativa da agenda que precisa avançar entre os dois países, a Ponte da Integração é apenas parte da pauta. Falta acordo nas negociações do Anexo C do Tratado de Itaipu. A dívida da construção da binacional foi quitada, o que aumenta a complexidade da contabilidade, diante de pontos de vista distintos sobre a destinação dos valores resultantes da geração de energia.
Integração é a condição de tornar o todo maior, melhor, eficiente ou mais sólido pela soma ou combinação das partes. Deixa de ser palavra quando a retórica dá lugar ao fazer, em ação transparente, na qual a fração pode ser facilmente negociada em favor do conjunto, onde pontes sejam ligações e vínculos de fato, não monumentos incompletos.

